A taxa geral de abstenção no primeiro turno das eleições de 2026 registrou um leve acréscimo, passando de 20,9% em 2022 para 21,1%, o que representa uma alta de 0,2 ponto percentual. No entanto, análises demográficas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral apontam que esse comportamento variou significativamente de acordo com a faixa etária dos cidadãos.
Comportamento distinto entre jovens e adultos
Enquanto o comparecimento apresentou melhorias em pontas específicas do eleitorado, o grupo formado por pessoas de 19 a 59 anos registrou expansão na ausência às urnas. O maior avanço ocorreu entre os eleitores de 21 a 24 anos, saltando de 23,5% para 25,8%, uma alta de 2,3 pontos percentuais. Na faixa de 25 a 29 anos, o índice subiu de 22,5% para 24,3%. O fenômeno também se repetiu entre os cidadãos de 30 a 59 anos, com variações que vão desde 1,9 ponto percentual na faixa dos 30 aos 34 anos até uma alta mais modesta de 0,5 ponto entre pessoas de 55 a 59 anos.
Queda na ausência entre adolescentes e idosos
Por outro lado, o voto facultativo de adolescentes e idosos demonstrou maior engajamento. Entre os jovens de 16 e 17 anos, a abstenção caiu de 17,1% para 12,70%. A redução foi de 5,2 pontos entre os eleitores de 16 anos e de 4 pontos entre os de 17 anos.
O recuo na ausência também foi generalizado na população com 60 anos ou mais, destacando-se de forma mais intensa nas faixas etárias mais avançadas, onde o comparecimento deixa de ser obrigatório.
Impacto nas faixas etárias mais idosas
Entre os eleitores de 65 a 69 anos, a taxa foi de 16,3% para 13,8%. Na faixa de 70 a 74 anos, a queda atingiu 7,8 pontos percentuais, indo de 39% para 31,2%. A retração mais expressiva foi mapeada entre cidadãos de 75 a 79 anos, cuja ausência despencou de 58,2% em 2022 para 47,8% em 2026, configurando uma diminuição de 10,4 pontos. Já entre o grupo de 80 a 84 anos, a queda chegou a 10,1 pontos, passando de 73% para 62,9%.
Reflexos no cenário político e disputa
A menor ausência de adolescentes e idosos tende a favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Sinha (PT), visto que o petista desempenha melhor desempenho junto a essas extremidades etárias em comparação ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em contrapartida, nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, locais que concentraram maiores taxas de abstenção no primeiro turno e guardam um volume expressivo de votos potenciais, há predominância de preferência pelo candidato do PL. Caso haja ampliação na presença do eleitorado nessas localidades e o padrão do primeiro turno se repita linearmente, o bloco oposicionista poderá ser o maior beneficiado.
Contexto histórico da abstenção
O índice de ausência registrado no primeiro turno de 2026 alcançou o patamar mais elevado desde o ano de 1998, mantendo uma curva ascendente contínua desde 2006. Em pleitos anteriores da primeira rodada, os números foram de 20,95% em 2022, 20,33% em 2018 e 19,39% em 2014. Tradicionalmente, as taxas de abstenção costumam subir no segundo turno, sendo 2022 a única exceção recente a essa regra, quando a segunda etapa atraiu mais votantes do que a fase inicial.






