O avanço da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a jornada de trabalho no modelo tradicional gerou forte repercussão nos bastidores do Poder Legislativo, culminando em um diálogo direto entre o comando do Senado e a liderança governista logo após o encerramento da pauta.
Bastidores da articulação no Senado
A conversa ocorreu na noite da última quarta-feira, 14, minutos depois do anúncio do resultado da votação. Ao se aproximar da mesa de Alcolumbre, Camilo apertou a mão do presidente do Congresso. Alcolumbre o cumprimentou com um “parabéns”, ao que o petista respondeu: “Você é responsável por isso aqui”. O presidente do Congresso retrucou: “Não te disse que ia dar certo?”. O diálogo foi captado pelo microfone logo depois do anúncio da aprovação da proposta.
Detalhes da votação e placar expressivo
O líder da bancada do PT no Senado, Camilo Santana (CE), atribuiu ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsabilidade pela aprovação, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A proposta foi aprovada no Senado em dois turnos no mesmo dia. Sem alterações de mérito em relação ao texto aprovado pela Câmara, a medida segue para promulgação, garantindo uma das vitrines eleitorais do governo Luiz Inácio Lula da Silva a 11 dias do segundo turno das eleições.
No primeiro turno, foram 75 votos favoráveis, um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), e nenhuma abstenção. O placar foi o mesmo na segunda votação. A proposta precisava de pelo menos 49 manifestações favoráveis em cada etapa. A PEC 221/2019 reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. A conclusão da votação ocorre na reta final da disputa presidencial, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro.
As duas deliberações foram viabilizadas pela aprovação, em votação simbólica, do requerimento de calendário especial apresentado pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). O mecanismo abreviou os prazos regimentais e dispensou o intervalo entre os turnos.






