Em manifestação formal enviada à Justiça Eleitoral, a Meta rechaçou categoricamente qualquer atuação deliberada para beneficiar ou prejudicar candidaturas no pleito geral de 2026. A controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp sustentou que as instabilidades registradas na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decorreram de interrupções sistêmicas pontuais, as quais também impactaram concorrentes de diferentes espectros políticos e clientes corporativos ao redor do globo.
O posicionamento da big tech foi motivado por contestações de usuários nas redes e por um processo judicial protocolado pela chapa governista. Ao rebater o litígio, a companhia lamentou a iniciativa e a classificou como uma “narrativa política” baseada na “combinação de problemas técnicos sem relação entre si”.
Origem dos problemas técnicos relatados pela campanha
Ao detalhar a cronologia das falhas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a empresa esclareceu o que causou cada intercorrência indicada pela equipe petista:
Bloqueio no gerenciador de anúncios: em 23 de setembro, a conta publicitária de Lula permaneceu suspensa por pouco mais de uma hora. A trava foi disparada por uma ferramenta automatizada que detectou suspeita de fraude em uma peça ligada a programas sociais. Esse mecanismo de triagem mais severo atende a um compromisso firmado em abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU). As páginas institucionais no Facebook e no Instagram funcionaram sem prejuízo.
Falha na métrica de visualizações: no dia 7 de outubro, um bug global paralisou os contadores de reprodução do Reels por cerca de cinco horas em mais de uma centena de países. A Meta frisou que o alcance orgânico seguiu operando normalmente — com a página de Lula registrando desempenho acima de sua média recente — e destacou que a equipe de Flávio Bolsonaro (PL) reportou exatamente o mesmo erro na mesma data.
Restrição no impulsionamento: entre 9 e 10 de outubro, uma mudança no código-fonte do sistema impediu temporariamente que anunciantes de vários mercados transformassem publicações do feed em anúncios patrocinados. O envio de materiais inéditos por upload direto continuou ativo.
Ajuste na inteligência artificial: a corporação eliminou uma inconsistência no assistente virtual no mesmo período. A ferramenta impedia buscas diretas pelos termos “Lula” e “Bolsonaro”, contudo ainda permitia a montagem de santinhos virtuais quando o usuário combinava prenomes populares, como “Luiz” ou “Flávio”, aos respectivos números eleitorais.
Influência de ordens judiciais e cenário regulatório
A defesa apresentada pela plataforma revelou que cerca de 70% das medidas restritivas e intervenções incidentes sobre os canais digitais do chefe do Executivo foram determinadas pelo próprio TSE. O restante das ações decorreu do cumprimento estrito de exigências da legislação em vigor, a exemplo da proibição do uso de IA durante o período de silêncio eleitoral.
A empresa também anexou à sua resposta um parecer emitido pelo tribunal eleitoral que atesta a ausência de indícios de manipulação intencional nos algoritmos. Por fim, a Meta reiterou preocupações com a legislação brasileira sobre a internet, pontuando que o regime de corresponsabilização por publicações de terceiros — em vigência desde 2025 — eleva o perigo de “aplicação excessiva” de filtros e remoções indevidas de postagens.






