O Brasil passa a contar com um método sanguíneo capaz de identificar marcadores biológicos associados ao Alzheimer. A tecnologia foi disponibilizada inicialmente pelo Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O procedimento surge como uma alternativa para evitar punções lombares e exames de imagem complexos na confirmação do quadro clínico.
Como o teste identifica os marcadores da doença O procedimento analisa a proteína p-tau217, uma variação química da proteína tau encontrada nas células do sistema nervoso. A concentração dessa substância no sangue reflete o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, principal alteração biológica da patologia.
Disponível apenas na rede particular por um preço estimado em R$ 3 mil, a análise utiliza a plataforma Lumipulse. Os resultados podem ser positivos, negativos ou inconclusivos, situação que atinge de 15% a 20% dos casos e pode exigir novas avaliações médicas após um ano ou a realização de exames complementares, como tomografias.
Critérios para a realização do procedimento A indicação médica é restrita a pacientes com mais de 50 anos que já manifestam sintomas cognitivos e suspeita clínica da condição. Especialistas ressaltam que queixas isoladas de perda de memória, sem comprovação de declínio por testes, não justificam a solicitação.
Em pessoas assintomáticas, a eficácia do resultado ainda é inconclusiva. A validação da tecnologia no país segue em andamento com amostras locais, enquanto a Anvisa regularizou a família de produtos Lumipulse G pTau 217 Plasma em agosto.
Vantagens em relação aos métodos tradicionais Historicamente, a confirmação da enfermidade dependia de exames de imagem caros, como o PET amiloide, ou da análise do líquor obtido por punção lombar. O novo teste sanguíneo oferece acurácia comparável a esses métodos, mas com menor invasividade e custo reduzido.
Perspectivas de atendimento na saúde pública A inclusão do teste no Sistema Único de Saúde ainda não possui cronograma definido. O Ministério da Saúde informou que não há solicitações de avaliação em andamento na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
Enquanto a incorporação na rede pública não ocorre, especialistas reforçam a importância de buscar avaliação médica especializada ao notar esquecimentos frequentes, garantindo que o diagnóstico precoce proporcione maior agilidade no início de tratamentos que retardam a progressão dos sintomas.
“Para o paciente, o benefício concreto está em saber com mais segurança, e possivelmente mais cedo, o que causa os sintomas”, diz Zimmer.
“A investigação costuma ser longa e o exame de sangue permite ao especialista fechar o diagnóstico com mais rapidez. Quanto antes a doença é identificada, maiores as opções de tratamento.”






