O empresário americano Josh Wander, ex-controlador da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Vasco e cofundador da 777 Partners, admitiu perante a Justiça dos Estados Unidos participação em um esquema de fraude que movimentou US$ 500 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,54 bilhões. A confissão foi anunciada formalmente pela Procuradoria do Distrito Sul de Nova York.
Esquema financeiro e desvio de verbas
De acordo com as investigações conduzidas pelas autoridades norte-americanas, a 777 Partners foi utilizada para captar centenas de milhões de dólares junto a credores particulares e investidores. Para isso, a gestão apresentou dados falsificados sobre a saúde financeira da corporação. Parte dos recursos captados foi direcionada para suprir custos da rede de equipes de futebol controlada pelo fundo, sem o consentimento dos financiadores.
“Wander ofereceu os mesmos ativos como garantia mais de uma vez, apresentou ativos fictícios, mentiu sobre a situação financeira de sua empresa e chegou a falsificar extratos bancários”, afirmou o procurador Jamie McDonald, do Distrito Sul de Nova York.
Acordo de confisco e próximos passos judiciais
Como consequência do entendimento firmado com a acusação, o executivo concordou com o confisco de pelo menos US$ 500 milhões obtidos de forma ilícita por meio da fraude.
As acusações iniciais contra Wander haviam sido apresentadas em outubro de 2025, englobando fraude eletrônica, fraude com valores mobiliários e conspiração. Ao optar pela confissão de culpa nos dois primeiros crimes, ele agora enfrenta uma pena máxima que pode chegar a 20 anos de reclusão para cada delito. A definição da sentença ficou a cargo do juiz J. Paul Oetken e foi agendada para o dia 1º de março de 2027.
Impacto na gestão do Vasco e falência do grupo
A derrocada financeira respingou diretamente no futebol brasileiro. Em maio de 2024, Wander e o sócio Steven Pasko abandonaram as funções executivas na companhia, conforme registros repassados à SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA.
No mesmo período, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento da 777 Partners do comando da SAF vascaína, restituindo o controle administrativo ao clube associativo — parceria que havia tido início em 2022. Meses mais tarde, em outubro de 2024, a Justiça do Reino Unido decretou a falência da holding, corroborando dados repassados pelo FBI. A seguradora A-CAP, principal credora da empresa, liderou as cobranças judiciais para reaver os montantes emprestados que sustentavam as operações globais do conglomerado.






