O mercado de tecnologia da informação e comunicação no Ceará consolidou uma trajetória de alta ao contabilizar 19.786 postos de trabalho com carteira assinada em 2025, o que representa uma expansão de 2,8% na comparação com o ano anterior. De acordo com o levantamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o território cearense responde por 22% de todos os vínculos forma desse segmento em território nordestino.
Demanda por inteligência artificial
A alta nos indicadores reflete o aquecimento do mercado e abre espaço tanto para especialistas quanto para quem busca requalificação profissional. A principal força motriz desse movimento é a inteligência artificial, conforme aponta Daniel Monteiro, que exerce a função de Chief Technology Officer (CTO) na Digital College, em Fortaleza.
“O movimento agora é de adoção da Inteligência Artificial nas profissões, também na programação, nos dados e qualquer área que você possa imaginar. Agora, eu tenho que unir o trabalho de um profissional a produtividade que uma Inteligência Artificial traz”, analisa Daniel Monteiro.
Para o próximo ano, a projeção nacional da Brasscom aponta para a abertura de aproximadamente 33 mil vagas sob o regime CLT no macrossetor de TIC. Entre as competências mais valorizadas pelas companhias estão computação em nuvem, cibersegurança, inteligência artificial e domínio do idioma inglês.
Transição de carreira e novos horizontes
Esse cenário dinâmico tem atraído trabalhadores de diversos ramos. É o caso de Bryan Rocha, que atuava no setor de saúde e hoje exerce a função de analista de BI no Hospital Geral Waldemar de Alcântara, em Fortaleza, unindo sua bagagem anterior à nova expertise digital.
“Todas as áreas estão reconhecendo que existe espaço para analista de negócio em suas empresas. A busca tem crescido bastante. É uma área que abre porta para vários outros profissionais”, afirma Bryan Rocha. Ele ainda reforça que a formação em TIC é acessível: “Você não precisa ser de TI para fazer um curso de Análise de Negócios ou de Inteligência de Negócios”.
Descentralização e expansão corporativa
Outro ponto de destaque revelado pelos dados é que as ocupações ligadas à informática não estão mais restritas a empresas especializadas em softwares ou telecomunicações. Em 2025, mais de 550 mil profissionais de tecnologia em todo o país trabalhavam em organizações cuja atividade principal pertencia a outros ramos.
Setores como varejo, indústria, educação, saúde, serviços financeiros e logística passaram a estruturar departamentos próprios de tecnologia. Um exemplo dessa dinâmica é a trajetória de Gabriel Rocha, que deixou o setor administrativo após sua empresa identificar a necessidade de um desenvolvedor e patrocinar sua capacitação em sistemas. Com apenas seis meses de estudos, ele assumiu a função na companhia e ainda abriu o próprio negócio na área digital.
Nordeste em evidência
O avanço cearense ocorre em um contexto de forte expansão em toda a região. O Nordeste registrou alta de 4,6% em 2025 e lidera o crescimento de profissionais de TIC no Brasil, ultrapassando o ritmo de expansão do Norte (3,9%), Centro-Oeste (2,9%), Sul (1,6%) e Sudeste (1,1%), consolidando um polo dinâmico de inovação fora do eixo tradicional do país.






