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Bolsa família e salário mínimo: entenda a comparação de reajustes

#NÃOÉBEMASSIM: Bolsa Família teve reajuste maior que do salário mínimo em 2026, mas não supera aumento dos últimos três anos

Postagens compartilhadas amplamente nas redes sociais desde o final de setembro vêm gerando debates ao afirmarem que o governo federal concedeu um reajuste superior a 15% para o Bolsa Família, enquanto o salário mínimo teria recebido uma correção de apenas 6%. No entanto, essa análise desconsidera o fato de que a transferência de renda ficou congelada por um triênio, período em que o piso nacional acumulou ganhos reais significativos.

O contexto das publicações virais

As mensagens que circulam no X e no Instagram trazem a imagem do presidente Lula (PT) acompanhada de críticas formuladas por um suposto trabalhador CLT. O texto alega que o governo prioriza beneficiários de programas sociais em detrimento da classe trabalhadora formal. Na legenda, perfis apontam insatisfação popular com a suposta perda de poder aquisitivo frente ao ritmo dos repasses assistenciais.

Contudo, tais enunciados omitem que o reajuste anterior do Bolsa Família havia ocorrido em 2023. Nesse mesmo intervalo de tempo, o piso salarial nacional acumulou uma alta de 22,8%. Em 2024, o valor passou de R$ 1.320 para R$ 1.412. Em 2025, chegou a R$ 1.518. E, em 2026, subiu para R$ 1.621. O percentual de 6%, citado nos posts desta checagem, é próximo apenas do registrado na correção mais recente: 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621).

O anúncio oficial e a inflação acumulada

Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo federal anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em 15%. Com isso, o piso do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro.

À época do anúncio do aumento para o Bolsa Família, o governo negou motivação eleitoral e afirmou que a medida recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação desde o aumento anterior, três anos atrás. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%.

Posicionamento do governo e análise técnica

Economistas e especialistas consultados pelo g1 questionaram o momento da alteração e o risco às contas públicas.

Procurado pelo Fato ou Fake, o Ministério do Planjeamento e Orçamento disse, por e-mail: “A recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos”.

O Fato ou Fake consultou o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Conselheiro Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), que explicou: “Para uma comparação adequada, o ideal é analisar a evolução acumulada do salário mínimo e do Bolsa Família entre 2023 e 2026, e não comparar o reajuste anual do mínimo com a recomposição acumulada de 15,04% aplicada ao programa social. Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família”.

Portanto, confrontar a variação pontual de um programa congelado por três anos com o reajuste anual de uma referência salarial distorce o cenário econômico real do período.

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