Os Estados Unidos iniciaram o envio de centenas de soldados do Exército para a América Latina como parte de uma ampliação da ofensiva militar da gestão de Donald Trump contra o tráfico de drogas na região, de acordo com o jornal “New York Times”.
Deslocamento de tropas
A movimentação envolve um batalhão de aproximadamente 600 militares, que participarão de treinamentos e exercícios com forças locais no Panamá, na Colômbia e em Honduras. Os dados foram divulgados pelo periódico americano com base em relatos de autoridades militares dos Estados Unidos que falaram sob condição de anonimato.
Conforme o jornal, os primeiros integrantes do exército já começaram a ser encaminhados para um centro de treinamento no Panamá. Em seguida, os soldados seguirão para a Colômbia, onde participarão de exercícios militares previstos para começar ainda em outubro. Outra parcela do grupo será deslocada para Honduras, também com o objetivo de realizar atividades de capacitação com forças locais.
Além dos treinamentos, parte dos militares poderá prestar apoio a forças de operações especiais americanas que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de tráfico de drogas. Segundo o veículo, os deslocamentos são inicialmente temporários, mas podem evoluir para uma presença mais permanente das Forças Armadas americanas na América Latina.
Ampliação da influência estratégica
A movimentação integra uma estratégia do governo Trump para intensificar a atuação militar dos EUA no combate aos cartéis de drogas na região. Essa ampliação da presença militar americana também atende a um objetivo mais amplo para retomar a influência dos EUA na América Latina e conter o avanço de potências de outros continentes.
“Exercer mais influência sobre a América Latina é uma prioridade da administração Trump”, diz o “New York Times”.
Apesar da aproximação política de novos líderes latino-americanos com Trump, a possibilidade de operações militares dos EUA no território desperta preocupações sobre a soberania dos países. O cenário reaviva a memória de um longo e sangrento histórico de intervenções americanas na área.
Doutrina Monroe e novas operações
Em dezembro de 2025, o governo americano publicou uma nova estratégia de segurança nacional que prevê a retomada da Doutrina Monroe, política do século XIX voltada a impedir a interferência de potências estrangeiras nas Américas. O documento estipula o reforço da presença militar, a intensificação do combate aos cartéis e a ampliação do acesso a locais estratégicos.
O Pentágono também transferiu recentemente drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador. Além disso, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, criou um novo departamento para supervisionar as operações militares contra organizações criminosas, com planos de expandir os ataques contra embarcações suspeitas para alvos em terra.
De acordo com o jornal, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental ao longo de aproximadamente um ano, resultando em pelo menos 239 mortes. Os militares afirmam que os alvos integravam o tráfico de drogas, mas não apresentaram provas.
Especialistas questionam a eficácia da estratégia e alertam que as mortes de criminosos geram pouco impacto no narcotráfico, enquanto entidades de direitos humanos temem o aumento de baixas civis com a expansão para alvos terrestres. Procurado pelo jornal, o Pentágono não comentou os novos deslocamentos, mas declarou estar comprometido com a colaboração com aliados contra ameaças regionais.






