O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, assinou o Decreto 1.525 de 2026, estabelecendo diretrizes inéditas para a atuação das forças de segurança durante atos públicos. Oficializada na última terça-feira (13), a medida passou a valer imediatamente para a jornada de manifestações convocada contra a administração federal nesta quarta-feira (14).
Novas regras para a força pública De acordo com informações do periódico El Tiempo, a nova legislação substitui uma norma que vigorava desde 2021 sobre o uso legítimo da força policial em marchas. Entre as alterações implementadas, o texto determina que os agentes acompanhem os protestos a uma distância de quatro metros dos manifestantes.
Além disso, o documento amplia o escopo de ações classificadas como violência, incluindo o lançamento de projéteis, depredação de bens públicos ou privados, posse de armamentos e explosivos, e o sequestro relâmpago de pessoas. A legislação autoriza o uso da força legítima de maneira direta contra vândalos, dispensando a obrigatoriedade de esgotar o diálogo prévio, desde que a ação seja focada estritamente nos indivíduos infratores.
Reação oficial e tensão em Bogotá Na véspera dos atos, episódios de tumulto na avenida Circunvalar, em Bogotá, foram classificados pelo chefe de Estado como um possível caso de “terrorismo urbano”. O incidente envolveu mascarados que atearam fogo em vias e bloquearam o trânsito próximo à Universidade Distrital, obrigando o sistema TransMilenio a alterar rotas.
Segundo o mandatário, os envolvidos fugiram rapidamente com a chegada do policiamento. “Quando a polícia chegou, esses bandidos saíram correndo para se esconder”, afirmou o presidente, em publicação no X.
Em outra postagem, Espriella defendeu a medida e pontuou: “O direito de protestar não está acima do direito de trabalhar, estudar, circular e viver em paz”. O presidente ainda argumentou que o texto protege quem marcha pacificamente e impõe limites à violência.
Primeira onda de oposição ao governo Centenas de opositores, incluindo sindicatos, estudantes, povos indígenas e movimentos feministas — liderados pelo ex-presidente Gustavo Petro —, tomaram as ruas de várias cidades colombianas. Com apenas dois meses de mandato, Espriella acumula críticas por sua política de segurança rígida contra o narcotráfico, pela retomada dos laços diplomáticos com Israel e pela reaproximação com os Estados Unidos.
Do outro lado, o histórico governo de esquerda de Petro foi marcado por expansão do ensino superior gratuito e valorização trabalhista. Com a nova regulamentação de segurança, grupos sociais agora expressam forte temor de sofrer repressão severa durante as mobilizações populares.






