O governo federal oficializou a escolha do ITMI (Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente) para gerir a Rede Nacional de Hospitais e Serviços e Medicina de Alta Precisão, com a missão de elevar a eficiência dos atendimentos complexos no SUS em todo o território nacional.
A medida foi formalizada por meio de um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado na terça-feira (13.out.2026), após um rigoroso processo seletivo para definir a organização social responsável pelo projeto.
“É um projeto de Estado para a saúde. Entes distintos definiram que nós precisamos modernizar a alta complexidade do SUS”, disse Hajjar, professora da titular da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).
Tecnologia e combate à burocracia
Sob a liderança da cardiologista Ludhmila Hajjar, a instituição pretende integrar o uso de inteligência artificial e outras inovações tecnológicas para agilizar o fluxo de pacientes que necessitam de cuidados urgentes e especializados.
A proposta central é eliminar gargalos operacionais e otimizar o tempo de resposta da rede pública.
O objetivo, disse Hajjar, é “pular etapas que só servem hoje para burocratizar o sistema e diminuir a chance de o paciente sair vivo”.
Além da agilidade nas vagas, a gestão focará na redução de perdas financeiras e operacionais.
A médica acrescentou que é necessário eliminar desperdícios. “Hoje, a perda é gigante. É perda de informação no papel, é passagem de caso”, afirmou.
Construção do Instituto de Emergências e novas UTIs
O planejamento prevê a criação de 14 UTIs inteligentes distribuídas pelas cinco regiões brasileiras, além da construção do Instituto de Emergências do HC da USP, em São Paulo, que contará com 800 leitos e infraestrutura para cirurgias complexas.
A nova unidade será erguida no terreno da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, com previsão de demolição do prédio atual em 2027 e conclusão das obras em 2029.
O financiamento totaliza R$ 1,9 bilhão, viabilizado por um empréstimo de R$ 1,7 bilhão do NDB (o Banco dos Brics) ao governo federal, somado a um aporte de R$ 200 milhões do Ministério da Saúde.
A manutenção do complexo ficará a cargo do governo paulista, com estimativa de custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 800 milhões.
Capacitação e expansão nacional
O modelo busca reduzir em até 30% o tempo total de internação no Hospital das Clínicas, abrindo espaço para dobrar a capacidade anual de atendimento de 100 mil para 200 mil pacientes.
O complexo também atuará na formação de mão de obra especializada para a rede pública.
“A ideia é que esse hospital seja um instituto de capacitação. Nós vamos formar médicos para medicina inteligente, enfermeiros, técnicos, engenheiros, fisioterapeutas. Será um hub de capacitação de treinamento para o SUS”, afirmou Hajjar.
A meta do ITMI é expandir esse modelo de atendimento e gestão para outros estados brasileiros, contando com novas captações de recursos no futuro.
A presidência do instituto reforça que a iniciativa possui caráter permanente e estrutural para o país.
“Não é um projeto político. É um projeto de mudança do SUS, uma conquista do país”, afirmou.






