Um diretor de alto escalão da Globo foi flagrado em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, conforme revelado nesta quarta-feira, 14. O caso já chegou à cúpula da emissora, que tenta conter os danos institucionais causados pela descoberta do material sigiloso.
Diálogos detalham festas luxuosas
As mensagens obtidas mostram uma forte ligação entre o funcionário do canal e o banqueiro, famoso por organizar eventos exclusivos para convidados VIPs. Em um dos trechos, o executivo comenta sobre uma noitada anterior em um hotel de São Paulo e elogia a energia de Vorcaro, a quem chama de “mito”. Fontes que tiveram acesso aos arquivos descreveram o teor das conversas como “assustador”.
Diante da repercussão iminente, a alta cúpula da emissora acompanha de perto os desdobramentos e aguarda a divulgação oficial dos diálogos para emitir um posicionamento formal. Pessoas próximas à estrutura de governança indicam que o profissional será demitido assim que o conteúdo vier a público, visto que o nome do diretor ainda é mantido sob sigilo.
Conflito de interesses e regras de compliance
A presença do executivo nas celebrações promovidas por Vorcaro entra em rota de colisão direta com as diretrizes internas da empresa de comunicação. O manual de compliance da organização estabelece claramente que “executivos não podem usar seu cargo ou função para influenciar alguém ou obter vantagens ou benefícios indevidos, sejam patrimoniais ou de outra natureza”, tornando a participação nos eventos um potencial conflito de interesses.
Enquanto isso, a Polícia Federal aprofunda as apurações para esclarecer a suposta participação do ex-banqueiro em um esquema de rede internacional de prostituição voltado para festas privadas. Os registros telefônicos já analisados pelos investigadores apontam que Vorcaro atuava como sócio oculto do esquema, que utilizava agenciadores e uma casa noturna na capital paulista para recrutar mulheres estrangeiras.






