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Investigação aponta Daniel Vorcaro como sócio de rede de exploração

Vorcaro é apontado como sócio oculto de rede de prostituição que recrutava refugiadas

Mensagens interceptadas indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria atuado como mentor e financiador de uma rede internacional de exploração sexual. De acordo com os registros, o empresário teria injetado, desde 2023, pelo menos R$ 4,3 milhões no esquema, que contava com o agenciamento de mulheres estrangeiras e o uso de uma casa noturna em São Paulo.

Participação ativa e estrutura do esquema

O envolvimento de Vorcaro ia além do aporte financeiro. As conversas revelam que ele participava da seleção das mulheres, definia quem permaneceria no grupo e negociava pagamentos. O esquema contava com o auxílio de Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e de Diogo Batista, promotor de eventos que recebia um salário fixo de R$ 120 mil mensais do banqueiro. A defesa do ex-banqueiro informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Contratos e movimentações financeiras

Em dezembro de 2023, o grupo avançou na estruturação dos negócios ao propor a aquisição de 50% da Allure Eventos, agência de modelos de Felipe Nisti Cataldo, por R$ 1,5 milhão. O contrato incluía a criação de uma estrutura específica para acomodar modelos indicadas pelo investidor. Após a assinatura, em janeiro de 2024, o promotor de eventos celebrou o acordo com o banqueiro: “Assim estamos blindados!”. Logo após, foram iniciadas as transferências de valores, com registros de pagamentos via Pix.

Exploração de refugiadas

O inquérito aponta que o grupo focava em mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo ucranianas, russas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Em um dos episódios, ao ser informado sobre a presença de refugiadas da Ucrânia, Vorcaro respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”. Em outro momento, ao discutir a situação de uma jovem de 19 anos, Diogo Batista sugeriu a criação de uma agência para encobrir as atividades: “Bora colocar elas na agência e daí lavamos as mãos”.

Investigações da Polícia Federal

A Polícia Federal instaurou um inquérito em maio para apurar denúncias de exploração sexual, manutenção de estabelecimento destinado a esse fim e possível tráfico internacional de pessoas. Embora a prostituição não seja crime no Brasil, a legislação penal brasileira pune severamente o favorecimento da prostituição por terceiros e a exploração de pessoas em condições vulneráveis. As investigações buscam agora mapear toda a rede de contatos e a extensão das atividades ilícitas mencionadas nas mensagens.

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