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Jovem músico que superou prognóstico médico morre e comove Tocantins

Jovem que encontrou na música caminho para a inclusão morre e recebe homenagem emocionante no TO; VÍDEO

A morte precoce de Lucas Valadares Castro, aos 20 anos, provocou profunda comoção na comunidade de Colinas do Tocantins, localizada no norte do estado. O jovem, que convivia com uma cardiopatia hipertrófica e uma condição multissistêmica, faleceu de forma repentina enquanto dormia, na madrugada desta segunda-feira (12). Nos últimos anos, ele havia se destacado pela dedicação à Fanfarra Municipal, espaço onde encontrou acolhimento, amizade e um verdadeiro sentido de inclusão social.

Despedida emocionante no cemitério

Durante o cortejo fúnebre, familiares, amigos e colegas de grupo se uniram em um momento de intensa emoção. Os integrantes da fanfarra entraram no cemitério em formação solene, executando instrumentos musicais em um tom suave para prestar a última homenagem ao jovem.

O regente da Fanfarra Municipal, Gabriel Macedo, destacou a importância de Lucas para o coletivo e explicou que a apresentação foi pensada para retribuir a alegria que o jovem transmitia nos ensaios.

“Lucas sempre foi um ótimo aluno, e participar da fanfarra era algo de que ele sempre gostou. Amávamos a presença dele, as brincadeiras e a forma dele de alegrar todos sempre. Quando recebemos a notícia, ficamos muito abalados, mas tínhamos certeza de que precisávamos fazer uma homenagem”, contou o regente.

O maestro também ressaltou que a escolha musical buscou demonstrar solidariedade aos parentes enlutados. “Foi um momento de dor, mas também de mostrar apoio à família e ao Lucas, que com certeza estaria muito feliz”, afirmou Gabriel.

Superação de diagnósticos médicos

A trajetória de Lucas foi marcada por barreiras superadas desde o nascimento, ocorrido após uma cesariana de emergência motivada por diabetes gestacional. A mãe, Waldirene Castro, relembrou os prognósticos severos recebidos na infância devido à síndrome e à cardiopatia.

“O diagnóstico, a princípio, era de que só iria viver até os 3 anos devido à síndrome. Disseram que não iria sentar, andar, andar de bicicleta ou jogar bola”, contou a mãe.

Com o suporte contínuo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Colinas do Tocantins e de especialistas, o jovem contrariou as previsões médicas. Posteriormente, ele ingressou no ensino regular na Escola Odimar Lopes, onde obteve o apoio pedagógico necessário para seu desenvolvimento.

A chegada à fanfarra municipal

Após um período de três anos morando em Palmas por razões profissionais da família, os parentes retornaram a Colinas do Tocantins. Foi nessa época que um convite feito por um vizinho mudou a rotina de Lucas, inserindo-o na Fanfarra Municipal.

“Foi aí onde tudo de melhor na vida dele aconteceu. O Lucas aprendeu a tocar todas as notas propostas e começou a fazer apresentações. Fez amizades, foi aceito e cuidado com amor e carinho, tendo todas as suas limitações físicas e visuais respeitadas”, disse Waldirene.

Segundo a mãe, o período em que integrou o grupo representou a fase mais feliz e gratificante da vida do jovem, marcado por disciplina, pontualidade e forte integração social.

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