Uma declaração do fundador do Partido dos Trabalhadores e dirigente do PSTU, José Maria de Almeida, o Zé Maria, gerou forte repercussão ao afirmar que a tradicional base operária do ABC paulista mudou suas preferências políticas e passou a apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A fala que repercutiu nas redes sociais O posicionamento veio à tona durante um debate no Podcast 3 Irmãos com José Genoino, também figura histórica da legenda.
“Os mesmos metalúrgicos que votaram no Lula a vida inteira vão votar hoje no Flávio”, afirmou.
O contexto da discussão e a posição da esquerda O diálogo aconteceu antes do primeiro turno da votação presidencial, realizada no dia 4 de outubro. Afastado do PT desde 1992, Zé Maria justificou a mudança como reflexo da frustração da classe trabalhadora com o governo atual, rechaçando a ideia de que o apoio ao bolsonarismo ocorra por falta de discernimento político.
Do outro lado, Genoino expressou preocupação com o momento atual e admitiu os desafios vividos pelos partidos progressistas. Segundo o ex-presidente nacional da sigla, a estratégia política do grupo enfrenta um momento crítico e a esquerda caminha “no fio da navalha”.
Desempenho nas urnas e a relevância de São Bernardo do Campo Na apuração do primeiro turno em âmbito nacional, Flávio Bolsonaro alcançou 47,03% dos votos válidos, superando Lula, que registrou 45,16%.
Apesar da tendência apontada pelo dirigente do PSTU, os números locais mostraram um cenário diferente em São Bernardo do Campo. O atual presidente liderou na cidade símbolo do sindicalismo com 215.232 votos, ao passo que o parlamentar do PL obteve 192.478 sufrágios.
O município possui valor sentimental e estratégico para a trajetória política de Lula, que emergiu das mobilizações sindicais e das paralisações de metalúrgicos na região na década de 1970. O debate sobre essa base eleitoral evidencia os novos desafios na disputa pelo apoio da classe trabalhadora brasileira.






