Um caso de fogo amigo na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou com a morte de um subtenente do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). A ocorrência foi registrada na madrugada de domingo (11), na região da Freguesia, quando agentes fardados e em uma viatura oficial da corporação foram baleados por policiais de outra unidade que os confundiram com criminosos.
Dinâmica do confronto na Gardênia Azul
O episódio aconteceu na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, que serve de acesso à comunidade da Gardênia Azul. No momento da ação, uma equipe do Bope fazia a abordagem ao motorista de um carro quando policiais do Batalhão de Jacarepaguá chegaram ao local.
Moradores da região relataram momentos de pânico e descreveram que o tiroteio foi prolongado. Uma testemunha que mora no local há 43 anos afirmou que os disparos duraram cerca de 20 minutos de forma incessante, obrigando os residentes a buscarem abrigo dentro de casa.
Investigação sobre falhas de comunicação
A Polícia Militar atribuiu a confusão inicial à baixa luminosidade da região, justificativa também mencionada por moradores que confirmam a escuridão da rua. Contudo, persistem dúvidas sobre o motivo pelo qual a farda e a viatura caracterizada não foram suficientes para evitar o ataque entre colegas de farda.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) assumiu as investigações para esclarecer a dinâmica dos disparos e a eficácia do fluxo de informações. A família do subtenente questiona se o aviso sobre a presença do Bope na área foi devidamente repassado a todos os agentes envolvidos.
“A gente quer entender exatamente o que aconteceu porque de primeira mão foi passado pra nós que não houve uma comunicação e nós já sabemos que foi feita uma comunicação”, afirmou a ex-mulher do policial.
“A gente quer entender quem foi comunicado, essa pessoa passou a comunicação pra todo o batalhão ou porque, se sabiam que estava naquela área, porque que aconteceu isso tudo?”, perguntou.
Trajetória da vítima e feridos no tiroteio
O subtenente Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos, era pai de três filhos e acumulava quase 26 anos de carreira na corporação, com grande parte da trajetória dedicada ao Bope.
“O Gláucio era um apaixonado pelo trabalho dele. Ele falava que aquilo ali fazia parte dele. Não é que ele fazia parte do Bope. O Bope fazia parte dele”, contou a ex-mulher.
Esta foi a segunda perda de um policial militar na mesma família em menos de um ano, visto que um irmão de Glaucio também faleceu durante uma operação na Zona Norte em outubro de 2025.
Além da morte do subtenente, o confronto deixou outros agentes feridos. Dois policiais receberam alta médica e participaram do sepultamento com curativos, enquanto outros três permaneceram internados em uma unidade de saúde na Barra da Tijuca.






