O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta uma rejeição generalizada após firmar um pacto para a importação de diesel russo, em um cenário de forte alta nos custos globais de energia impulsionada pelo conflito envolvendo o Irã.
Acordo e volumes negociados Na sexta-feira, Trump anunciou que o presidente russo, Vladimir Putin, concordou em liberar imediatamente 300 mil toneladas de diesel “para o mercado americano e global”, seguidas por várias outras remessas.
O planejamento prevê o envio adicional de 500 mil toneladas em novembro e um milhão posteriormente, podendo alcançar três milhões de toneladas “em um curto período”, dependendo da situação das refinarias russas afetadas por ataques ucranianos.
“Preços mais baixos para os americanos, especialmente para nossos grandes agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, são minha maior prioridade”, escreveu Trump em uma publicação na rede social Truth Social.
A posição de Moscou e a repercussão O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, confirmou os dados e indicou que o volume mensal poderá atingir três milhões de toneladas no futuro. O Departamento do Tesouro dos EUA suspendeu as sanções sobre o diesel russo até 7 de abril, embora outros ativos permaneçam congelados.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o acordo como um presente a Putin, equivalente a “um investimento em uma guerra que precisa acabar”.
Reação no Congresso americano Sete senadores — quatro republicanos e três democratas — apontaram que a medida desrespeita a legislação dos Estados Unidos e exigiram uma mudança de postura do Executivo.
“Os EUA não devem oferecer um porto seguro financeiro a Putin enquanto a Rússia continua a matar civis ucranianos”, declararam os legisladores, acrescentando que o Congresso havia “proibido explicitamente as importações de energia russa em 2022 para impedir que dólares americanos financiassem a guerra de Putin contra a Ucrânia”.
O grupo que assinou a nota inclui os republicanos Susan Collins, Lisa Murkowski, Thom Tillis e John Curtis, além dos democratas Jeanne Shaheen, Richard Blumenthal e Ron Wyden.
Pressão eleitoral e defesa do governo A disparidade nos custos dos combustíveis virou tema central antes das eleições de meio de mandato, prejudicando a popularidade do governo entre eleitores e afetando fortemente o setor agrícola e de transportes.
O Secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, defendeu a medida à Fox News, argumentando que a operação ocorre por canais legais já vigentes para baratear os preços.
Por outro lado, analistas econômicos ponderam que o volume prometido supre apenas uma fração minúscula do consumo diário norte-americano, gerando dúvidas sobre a real eficácia da estratégia para o consumidor final.






