O Paraná alcançou uma taxa de 72% na elucidação de homicídios entre os anos de 2020 e 2023, superando com folga o panorama brasileiro, cuja média foi de apenas 40%. Com esse índice, o estado desponta no topo do ranking do Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, divulgado em julho pelo Instituto Sou da Paz, dividindo o protagonismo com Rondônia e o Distrito Federal.
Modelo focado em metas e atuação integrada
O levantamento aponta o modelo paranaense como referência em boas práticas no combate aos crimes contra a vida. Essa eficiência decorre de uma estratégia fundamentada em gestão por metas, distribuição territorial especializada e forte priorização institucional. Outro diferencial decisivo está na sintonia contínua entre as equipes da Polícia Civil e o trabalho da perícia técnico-científica.
Avanço das operações e inteligência policial
As ações de repressão qualificada também cresceram significativamente. Conforme dados da Polícia Civil do Paraná (PCPR), esse tipo de intervenção registrou uma alta superior a 300% no comparativo de longo prazo, totalizando 975 operações concluídas até setembro deste ano.
De acordo com o delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach, o fortalecimento da inteligência investigativa tem sido indispensável. A metodologia possibilita descobrir conexões ocultas entre diferentes ocorrências, traçar o organograma de lideranças criminosas e decifrar as disputas por territórios impulsionadas pelo tráfico de entorpecentes.
Fortalecimento institucional e asfixia financeira
Esse planejamento operacional recebeu respaldo legislativo com a sanção da nova Lei Orgânica da Polícia Civil, oficializada em maio. A reformulação permitiu a implantação de unidades altamente especializadas:
O Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), o Departamento de Operações Especiais (DOESP) e o Departamento de Inteligência Policial (DIP).
Na vertente financeira, a estrutura do DIP conta com cinco Laboratórios de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro. O foco desses centros é monitorar transações bancárias e patrimoniais para desarticular facções e promover a descapitalização de grupos organizados.
O diagnóstico conclui que a união de planejamento estratégico, modernização das estruturas investigativas e integração operacional consolida o caminho para elevar as taxas de punibilidade e responsabilizar os autores de crimes violentos.






