Por Daniel Rocha
O cenário político e jurídico brasileiro frequentemente nos presenteia com situações que desafiam o senso comum e a lógica, e um dos mais recentes episódios se desenrolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Durante o julgamento que avalia supostas irregularidades do ex-presidente Jair Bolsonaro nas comemorações do Bicentenário da Independência, o ministro Alexandre de Moraes, o homem da hora, fez questão de desviar a atenção para algo que beira o surreal: o traje de Luciano Hang, o empresário por trás da rede de lojas Havan.
Em um evento que deveria ser focado na análise de possíveis infrações eleitorais, Moraes optou por um momento de entretenimento, chamando a atenção para o “tradicional traje verde periquito” de Hang. Comovente, não? É admirável que em meio a questões tão relevantes para a democracia e para o país, um membro do Judiciário escolha abordar um tema tão crucial como o estilo de vestimenta de um empresário.
No entanto, o que Moraes aparentemente negligenciou em seu comentário sarcástico é a contribuição substancial que Luciano Hang e sua empresa oferecem à economia brasileira. A Havan é uma das maiores empresas do país, classificada em 99º lugar no ranking Valor 1000, sendo a 7ª maior companhia de Santa Catarina. Além disso, no setor de comércio varejista, a Havan é a única empresa catarinense nas primeiras posições, figurando em 13º lugar.
Mas a grande importância da Havan transcende as estatísticas de faturamento. A empresa é uma fonte significativa de empregos, com mais de 22 mil colaboradores diretos e mais de 120 mil indiretos. Em um momento em que o país enfrenta altas taxas de desemprego, a contribuição de Hang ao criar e manter empregos é inestimável.
A Havan também desempenha um papel vital no cenário fiscal brasileiro, pagando anualmente cerca de R$ 3 bilhões em impostos e benefícios. Esses recursos são cruciais para financiar serviços públicos essenciais e projetos de infraestrutura que beneficiam todos os brasileiros.
A pergunta que fica é: o que Moraes representa em termos de contribuição para o país? Com um salário mensal de R$ 46 mil, os benefícios concedidos aos ministros do STF custam aos pagadores de impostos cifras consideráveis. O auxílio-moradia, por exemplo, soma cerca de R$ 1,5 milhão anualmente para os 11 ministros. Outra despesa significativa é o auxílio-alimentação, que atinge aproximadamente R$ 12 milhões por ano.
Essas cifras colossais merecem uma reflexão séria. Num país com quase 15 milhões de desempregados e inúmeras empresas enfrentando dificuldades financeiras, é no mínimo questionável que recursos públicos sejam gastos com tantos privilégios. Enquanto Luciano Hang investe em seu negócio e gera empregos, membros do Judiciário gozam de regalias custeadas pelo contribuinte.
É um contraste surpreendente: de um lado, um empresário que contribui para a economia, gera empregos e paga bilhões em impostos; do outro, um ministro do Supremo Tribunal Federal que custa somas substanciais aos pagadores de impostos. Talvez Moraes devesse considerar a realidade econômica do país antes de se preocupar com trajes e roupas “verde periquito”. Afinal, a ironia é um luxo que o Brasil simplesmente não pode pagar.
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Artigo de opinião de Daniel Rocha, publicado originalmente na BraTV em 02/11/2023 e republicado pela Fronte Brasil.






