Com cerca de 500 quilos, o vidro à prova de balas que protege a imagem original de Nossa Senhora Aparecida é uma das barreiras de segurança que cercam a escultura no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). A imagem fica a aproximadamente quatro metros do chão, em um nicho que permite a contemplação dos devotos e ajuda a preservar a peça histórica.
O atentado e a destruição da escultura
A proteção ganhou relevância diante de um dos episódios mais marcantes da história da escultura. Em 16 de maio de 1978, durante uma missa na Basílica Histórica de Aparecida, um jovem aproveitou um apagão para furtar a imagem de um cofre e a jogou no chão. O impacto fez com que a peça se partisse em mais de 200 pedaços.
O trabalho histórico de restauração
Após o episódio, a imagem foi levada ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde a restauradora Maria Helena Chartuni ficou responsável pela reconstrução. Na época, ela não era devota de Nossa Senhora Aparecida e inicialmente encarou o serviço como mais um trabalho. Ao ver a extensão dos danos, principalmente na cabeça da escultura, ficou impressada com o desafio.
Chartuni trabalhou durante 33 dias para recompor a imagem, utilizando cola de secagem rápida e reconstruindo as partes danificadas. Durante o processo, rezou e pediu ajuda a Nossa Senhora. A restauradora contou que a experiência transformou sua relação com a fé e fez com que se tornasse devota da santa.
O retorno triunfal para Aparecida
Em 19 de agosto de 1978, a imagem restaurada voltou a Aparecida em um caminhão do Corpo de Bombeiros, acompanhada por uma multidão de fiéis. A chegada foi marcada por orações e demonstrações de emoção de pessoas que se reuniram para receber a escultura de volta.
Detalhes e simbolismos do nicho atual
Atualmente, a imagem encontrada em 1717 no Rio Paraíba do Sul permanece exposta no Santuário Nacional, em um nicho elevado e protegido. A estrutura permite que os visitantes contemplem a escultura sem contato direto com a peça histórica.
O nicho também reúne elementos decorativos com significado religioso. O revestimento conta com pastilhas de porcelana pintadas a ouro, enquanto a decoração inclui peixes em alto-relevo, em referência à pesca milagrosa, e um sol associado à passagem bíblica da “mulher vestida de sol”.
Ondas representam o Espírito Santo, e círculos remetem à perfeição divina. A estrutura também traz a inscrição: “O Espírito e a Esposa dizem: Amém. Vem Senhor Jesus”, trecho do livro do Apocalipse.






