A JAC (Anhui Jianghuai Automobile Group Corp. Ltd.) confirmou conversas preliminares com a Huawei Technologies Co. Ltd. e a Stellantis NV sobre uma possível cooperação estratégica. As negociações surgem após especulações do mercado de que a união entre as três companhias poderia revitalizar a Maserati, marca que pertence ao grupo europeu e atravessa um momento de dificuldades financeiras.
Tendência no setor automotivo Essa movimentação reforça a tendência de marcas ocidentais tradicionais buscarem tecnologia chinesa para acelerar a transição rumo aos veículos inteligentes, superando barreiras impostas por eventuais tensões geopolíticas internacionais.
Em comunicado enviado à bolsa de valores no dia 30 de setembro, emitido para justificar a oscilação recente no valor de suas ações, a JAC declarou que as três partes “têm intenção de cooperar”. Contudo, a fabricante ressaltou que o escopo e o formato da aliança ainda carecem de definição, não havendo assinatura de nenhum acordo formal vinculante até o momento.
O projeto de colaboração entre as gigantes As conversas vieram a público após veiculação na imprensa da China e da Itália sobre o interesse da Stellantis em buscar transformação tecnológica no mercado asiático. Segundo o jornal Milano Finanza, a iniciativa conjunta uniria o design clássico italiano com a tecnologia avançada da Huawei e os serviços de engenharia da JAC, como parte do plano de recuperação da Maserati.
Vale destacar que JAC e Huawei já possuem histórico de colaboração no desenvolvimento da Maextro, uma marca focada em veículos elétricos inteligentes de luxo cujos modelos ultrapassam 650.000 yuans (US$ 97.000). Caso o novo acordo seja concretizado, analistas apontam vantagens para todas as partes: a JAC e a Huawei ampliariam suas receitas, enquanto a Maserati economizaria em custos massivos de pesquisa e desenvolvimento.
Crise financeira e queda nas vendas Com sede na cidade italiana de Modena, a Maserati enfrenta uma forte desaceleração comercial. Balanços da Stellantis indicam que a marca comercializou apenas 7.900 unidades em 2025, uma retração significativa frente aos 11.000 veículos vendidos em 2024 e aos 27.000 de 2023. O prejuízo líquido registrado foi de 840 milhões de euros (US$ 945 milhões), acompanhado por uma receita de 730 milhões de euros em 2025. O cenário agravou-se no primeiro semestre de 2026, com apenas 2.700 carros comercializados no período — fase em que a Stellantis optou por não divulgar dados financeiros individualizados da montadora.
Procurada após a repercussão na mídia, a Stellantis destacou que mantém contato frequente com diversos players do setor automotivo global para tratar de assuntos rotineiros de suas operações. A empresa também informou que os planos futuros e a estratégia de desenvolvimento voltados para a Maserati serão detalhados durante um evento destinado a investidores marcado para dezembro, em Modena.
O grupo europeu não é estranho a parcerias com o mercado chinês. A companhia já investiu na startup de veículos elétricos Zhejiang Leapmotor Technology Co. Ltd. e criou uma joint venture com a Dongfeng Motor Group Co. Ltd. para fabricar modelos eletrificados das marcas Peugeot e Jeep, atendendo tanto o mercado local quanto o internacional.
Ainda assim, qualquer acordo trilateral envolvendo a Maserati precisará lidar com barreiras políticas. Como a Huawei segue sob sanções rigorosas impostas pelos Estados Unidos, a Stellantis enfrenta um desafio complexo, visto sua forte presença operacional na Europa e na América do Norte. Os caminhos que a montadora europeia utilizará para contornar esse obstáculo técnico e político permanecem incertos.






