Home / Brasil / Sessenta nações rejeitam cobrança de pedágio em rotas marítimas globais

Sessenta nações rejeitam cobrança de pedágio em rotas marítimas globais

Declaração assinada por 60 países condena cobrança de pedágio em rotas marítimas

Um grupo composto por 60 países assinou nesta segunda-feira uma declaração conjunta para assegurar a liberdade de navegação em rotas internacionais, manifestando forte oposição à cobrança de taxas em estreitos estratégicos.

Apoio internacional e rejeição a taxas

O documento conta com o respaldo de nações britânicas, japonesas, australianas e integrantes da União Europeia.

“Apoiamos as iniciativas multilaterais defensivas e não escalatórias em curso, destinadas a preservar a liberdade de navegação”, diz a declaração.

O texto também reforça a rejeição a barreiras financeiras ou burocráticas: “Nós nos opomos a quaisquer medidas, incluindo a imposição de taxas ilegais, pedágios, restrições discriminatórias, exigências de autorização prévia ou outras condições que possam dificultar ou prejudicar a navegação legal em estreitos utilizados para navegação internacional”.

Explosão e tensão no Estreito de Ormuz

A mobilização diplomática coincide com o agravamento da insegurança no Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (10) que um petroleiro explodiu e pegou fogo após atingir uma mina naval enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.

Os militares não informaram o nome, a bandeira ou a origem da embarcação. Também não foram divulgados detalhes sobre possíveis vítimas ou a extensão dos danos. Até o momento, não há confirmação independente das circunstâncias da explosão.

O episódio ocorre em meio ao aumento dos ataques contra navios comerciais na região, que se tornou um dos principais focos de tensão desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro.

Escalada de incidentes e resgates

Um levantamento publicado pela Reuters na quarta-feira (7) mostrou que os ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz atingiram o maior número semanal desde o início do conflito. Entre 28 de setembro e 5 de outubro, fontes de segurança marítima contabilizaram pelo menos 12 incidentes envolvendo embarcações que transportavam petróleo e gás na região.

Os registros incluem ataques, tentativas de ataque e ações de intimidação contra navios. Dados da Organização Marítima Internacional (OMI), agência da ONU responsável pela segurança da navegação, apontaram nove ocorrências no mesmo período.

Na terça-feira (6), o Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que 12 tripulantes ficaram feridos após um projétil atingir o petroleiro On Peace, de bandeira panamenha, durante a passagem pelo estreito.

Neste sábado, a Guarda Nacional dos Emirados Árabes Unidos também informou ter resgatado 22 tripulantes de um petroleiro que pegou fogo no Golfo Pérsico, segundo a Associated Press. Os marinheiros receberam primeiros socorros e estavam em condição estavel. As autoridades não divulgaram a identidade do navio nem a causa do incêndio. Não há confirmação de que o caso tenha relação com a explosão relatada pelo Irã.

A importância econômica da rota

Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma passagem estratégica para o comércio internacional de energia.

Antes do início da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passava pela região.

Desde fevereiro, os confrontos entre Estados Unidos e Irã têm prejudicado o transporte marítimo, elevado os custos de frete e seguro e provocado oscilações no preço internacional do petróleo. O Irã tem imposto restrições à navegação no estreito, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval contra embarcações que entram ou saem de portos iranianos.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *