A prefeitura de Brodowski, no interior paulista, excluiu a possibilidade de escabiose — popularmente conhecida como sarna humana — nos pacientes que têm procurado atendimento médico com queixas de coceira e lesões cutâneas. Até o início de outubro, o município contabilizava 75 ocorrências, número que saltou para 177 registros em apenas uma semana.
Investigação e exames laboratoriais As autoridades locais informam que realizam diversos procedimentos médicos para tentar elucidar o caso, incluindo biópsias, raspados e dermatoscopias.
“O município aguarda a conclusão das etapas necessárias para a realização da investigação e do diagnóstico laboratorial, bem como, posteriormente, os respectivos resultados, que serão fundamentais para auxiliar na identificação da causa dos quadros observados”.
Apoio estadual e repercussão familiar O Grupo de Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto presta suporte técnico às equipes locais desde o início do episódio.
“Até o momento, a avaliação dos casos tem sido realizada com base em critérios clínicos e epidemiológicos. No curso da investigação, não foram coletadas amostras com indicação para encaminhamento ao Instituto Adolfo Lutz (IAL) para análise laboratorial”.
Moradores relatam que os incômodos se espalharam rapidamente entre os membros de uma mesma residência, gerando preocupação na comunidade afetada pelas reações na pele.
Especialistas apontam suspeitas virais Especialistas na área médica avaliam que a velocidade com que o problema se espalhou na região pode indicar uma origem infecciosa específica. Márcia Carvalho Mallozi, alergista e coordenadora do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), detalha os aspectos clínicos avaliados até o momento.
“A evolução rápida sugere uma doença causada por vírus, porque a transmissão parece ter sido rápida, com pouca ou nenhuma febre e com coceira que não é de grande intensidade. Foi noticiado que o Instituto Adolfo Lutz estava empenhado em esclarecer a origem desse quadro viral, mas isso demora algum tempo se não estiver sendo causado por um vírus conhecido”.
A médica também pondera sobre outras manifestações comuns na dermatologia, mas descarta algumas hipóteses devido ao comportamento coletivo do surto.
“Pensando nas doenças alérgicas, uma das hipóteses poderia ser a urticária, que cursa com lesões de pele e coceira. Mas várias pessoas com o mesmo quadro clínico, em tempo tão pequeno, afastam essa possibilidade”.
A especialista reforça que a transmissão da sarna não ocorre com a mesma velocidade observada em Brodowski e elogiou a decisão de higienizar as escolas temporariamente.
“Como a evolução parece ser benigna, sem necessidade de internação e medicamentos mais específicos, as medidas gerais de afastamento das pessoas acometidas são as mais importantes até que um diagnóstico definitivo seja conhecido. A longo prazo, é necessário o esclarecimento final da etiologia desse quadro clínico”.






