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Tarifaço dos EUA afeta empresas brasileiras e gera alerta

Tarifaço dos EUA já afeta empresas; entenda quando os efeitos podem chegar ao seu bolso

As barreiras comerciais implementadas pelo governo dos Estados Unidos já provocam impactos diretos sobre diferentes setores da indústria brasileira. Apresentada inicialmente como uma estratégia para proteger o mercado americano, a taxação acabou encarecendo produtos para os próprios consumidores locais, adicionando 2,9 pontos percentuais à inflação americana até fevereiro de 2026, segundo dados do Federal Reserve de Nova York.

Cenário no setor calçadista O segmento de calçados é um dos mais vulneráveis às novas regras comerciais. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares, gerando US$ 541,45 milhões, o que representa quedas expressivas em volume e receita na comparação com o ano anterior.

A entidade representativa do setor aponta que as empresas enfrentam dificuldades tanto pela perda de espaço nos Estados Unidos quanto pelo avanço de produtos estrangeiros no mercado doméstico.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, resumiu a situação enfrentada pelas fábricas brasileiras: “As empresas poderiam direcionar parte da produção para o mercado nacional para evitar demissões. Mas, com o avanço das importações, fica mais difícil absorver esses produtos e manter os postos de trabalho.”

Adequações na produção industrial Empresas tradicionais precisaram reformular contratos e buscar alternativas logísticas para mitigar os prejuízos causados pelas sobretaxas alfandegárias. Na cidade paulista de Franca, fabricantes ajustaram linhas operacionais sem comprometer a qualidade final dos itens comercializados.

Um representante de comércio exterior da Rafarillo detalhou as mudanças operacionais adotadas: “O processo produtivo teve que ser repensado, nós tivemos que fazer algumas adequações, de repente até algumas mudanças em relação à matéria-prima, obviamente não mudando a qualidade do produto, mas buscando mais alternativas no mercado.”

Impacto no setor de máquinas e equipamentos Enquanto a indústria de máquinas lida com o protecionismo externo, o mercado interno sofre com taxas de juros elevadas e investimentos retraídos. Para o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, a fraqueza da economia doméstica tem peso maior nas demissões do que o próprio tarifaço americano.

Sobre os fatores determinantes para o fechamento de vagas, José Velloso pontuou: “Nós temos uma crise muito importante aqui dentro. Nós temos um aumento das exportações, e isso ameniza, mas temos uma queda das exportações para os Estados Unidos.” O executivo acrescentou: “Essa queda é menor do que o crescimento das exportações que estamos tendo no geral. Então, a tarifa causa demissão? Causa. Mas, quando olho o total do setor, ele está tendo demissões também por causa do baixo desempenho do mercado interno, e não só por causa do tarifaço.”

Consequências para o consumidor final Para a população em geral, o reflexo do tarifaço não ocorre de maneira imediata na etiqueta dos produtos comercializados no país. Como a taxação é aplicada na entrada da mercadoria estrangeira em território americano, o peso recai inicialmente sobre as margens das companhias exportadoras e sobre a manutenção dos postos de trabalho.

Analistas econômicos avaliam que eventuais pressões inflacionárias no Brasil dependerão do comportamento da taxa de câmbio. Caso a percepção de risco externo impulsione a cotação do dólar, o custo de insumos importados aumentará, transmitindo o reflexo das tarifas internacionais para o restante da economia brasileira.

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