Pelo menos 139 pessoas perderam a vida e 84 continuam desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação na costa do Djibuti, na região nordeste da África. O acidente aconteceu entre a noite de quinta-feira, 8, e a madrugada de sexta-feira, 9, mas os dados oficiais foram divulgados somente no domingo, 11, pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Sobreviventes e operações de busca
O barco transportava um total de 305 migrantes que tinham como destino final o Iêmen, território situado do outro lado do Estreito de Bab el-Mandeb. O naufrágio ocorreu nas proximidades de Guhere, ao norte de Obock, cidade portuária, logo após a saída da costa africana.
De acordo com Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM no Djibuti, a sobrecarga de passageiros foi a causa provável da tragédia. Relatos de sobreviventes indicam que o transporte começou a afundar pela popa logo após a partida.
“Nossas equipes estão em campo, com as autoridades locais, para prestar ajuda de emergência, declarou Coissac. “Esta tragédia nos lembra de forma brutal os perigos aos quais os migrantes estão expostos ao longo desta rota.”
Entre as vítimas fatais, encontram-se ao menos 15 crianças. Por outro lado, 82 pessoas conseguiram salvar suas vidas, sendo todas de origem etíope. As operações de salvamento seguem ativas em busca dos desaparecidos, enquanto os órgãos locais oferecem suporte médico e psicológico aos sobreviventes.
Sepultamentos e contexto da rota migratória
Alguns dos corpos resgatados foram sepultados em valas comuns sem identificação prévia. Segundo Coissac, outros corpos foram enterrados pelos próprios sobreviventes, mas esses ainda não constam na contabilização oficial.
O Djibuti está localizado no Chifre da África, integrando um dos corredores migratórios mais movimentados em direção à Península Arábica. Anualmente, dezenas de milhares de indivíduos cruzam o país africano na tentativa de alcançar o Iêmen para, posteriormente, buscarem acesso a nações mais ricas do Golfo, como a Arábia Saudita.
Apesar da persistente guerra civil no Iêmen, a travessia marítima continua ocorrendo. Fatores como pobreza extrema, conflitos armados e a escassez de vagas de emprego impulsionam os migrantes a arriscarem a vida nessa jornada.
Conforme dados da OIM, mais de 900 pessoas perderam a vida ou desapareceram nessa mesma via migratória somente no ano de 2025. Além disso, o fluxo de migrantes que percorreram o trajeto apresentou um crescimento de 18% em comparação ao período anterior.






