As forças de segurança da Índia prenderam mais de mil pessoas em Nova Délhi no sábado, 10, no contexto de uma ampla operação para barrar um ato convocado pelo movimento juvenil conhecido como “Cockroach”. Os episódios de violência resultaram em feridos entre os agentes policiais e os manifestantes. De acordo com as autoridades locais, um grupo conseguiu ultrapassar o bloqueio de segurança e arremessou pedras na direção da polícia.
Durante a ação, um dos participantes foi visto com ferimentos na cabeça na janela de um veículo policial, ao passo que populares exigiam o envio de atendimento médico de urgência. A mobilização contou com um efetivo superior a 30 mil policiais e envolveu a captura prévia de lideranças do grupo antes que o ato tivesse início.
Prisão de lideranças e forte esquema de segurança Entre os capturados estava Abhijeet Dipke, criador do movimento, interceptado no interior de uma aeronave logo após pousar na capital indiana. “Nem Indira Gandhi fez isso”, afirmou Dipke durante a detenção, em referência à ex-primeira-ministra que governou o país durante o estado de emergência nos anos 1970.
Com o objetivo de evitar qualquer aglomeração, alto-falantes fixados em árvores e postes emitiram avisos constantes proibindo a realização do ato público. Diante disso, o porta-voz do coletivo, Ajinkya Shinde, orientou os simpatizantes com uma instrução direta: “Onde a polícia prender vocês, continuem o protesto”.
Origens do grupo e contexto político A nomenclatura do coletivo nasceu em maio, na sequência de uma fala atribuída ao presidente da Suprema Corte, Surya Kant, que teria associado jovens sem emprego a baratas. Dipke, que atua como jornalista e tem 31 anos, respondeu ao comentário na internet por meio de um questionamento: “E se todas as baratas se unirem?”.
Essa provocação gerou o Cockroach Janta Party, termo que equivale a “Partido do Povo das Baratas”. Embora não seja um partido político oficializado, o grupo ganhou destaque nacional em protestos contra a fraude em um exame de admissão para o curso de Medicina, situação que impactou mais de 2 milhões de estudantes. A forte mobilização popular culminou na demissão do ministro da Educação no mês de julho.






