A relação com a pesca no Espírito Santo vai muito além da atividade econômica, conectando rituais ancestrais, comunidades tradicionais e a produção em tanques e no mar. Na Aldeia Piraquê-Açu, em Aracruz, o cacique Kara’í Perú e a mãe, Keretxu Emdey, de 86 anos, realizam cânticos tradicionais para abençoar as águas, pedindo proteção para rios, oceanos e espécies marinhas.
Tradições e desafios na pesca indígena Para os indígenas, o rio representa a essência da comunidade e o sustento familiar. No entanto, o cenário sofreu alterações profundas ao longo dos anos. O cacique aponta reflexos do desastre de Mariana, ocorrido em 2015, nas mudanças observadas no Rio Piraquê-Açu, embora o nexo causal exija comprovação científica por meio de estudos ambientais.
Diante das incertezas sobre a qualidade hídrica do leito após o impacto dos rejeitos de minério, a alternativa encontrada pelos moradores foi a criação de peixes em tanques e a aquisição de pescados de terceiros fora da aldeia.
Conexão e fortalecimento da cadeia produtiva
Organização e novos rumos para o setor pesqueiro
O mercado do pescado no estado envolve desde pescadores artesanais e armadores até peixarias, indústrias, restaurantes e cooperativas. Entidades como o Sindicato dos Pescadores do Estado do Espírito Santo atuam para unir os elos fragmentados dessa cadeia, promovendo capacitações e eventos voltados à valorização dos profissionais.
Iniciativas como a Semana do Pescado mobilizam estabelecimentos e movimentam milhões de reais, aproximando quem produz de quem consome e dando visibilidade aos trabalhadores da pesca artesanal e da aquicultura.
Profissionalização e inovação na prática
A nova geração de profissionais da pesca
O futuro da atividade também ganha fôlego com a chegada de novos profissionais qualificados. Estudantes de Engenharia de Pesca buscam aliar o conhecimento acadêmico à vivência familiar para fortalecer os negócios locais, prestando apoio técnico e informando a comunidade sobre direitos, documentação e regulamentações do setor.
A piscicultura em Domingos Martins
Piscicultura familiar e o papel do cooperativismo
Na Região Serrana, a produção de tilápias em tanques reforça a renda de propriedades rurais. O suporte de cooperativas locais garante o fornecimento de insumos, como ração com pagamento atrelado à venda final, além de assegurar o escoamento da produção e investir em unidades de beneficiamento para ampliar a capacidade de processamento diário.
Dados econômicos e suporte governamental
Crescimento da aquicultura e apoio estatal
A produção em sistemas de aquicultura no Espírito Santo alcançou milhares de toneladas, com destaque absoluto para a tilápia. O governo estadual fomenta o setor por meio de assistência técnica, linhas de crédito subsidiado, editais de financiamento para infraestrutura e inclusão do pescado na merenda escolar.
O futuro da atividade combina a modernização dos métodos de captura, o fortalecimento da maricultura costeira e a preservação das raízes culturais. Enquanto novos profissionais e cooperativas dão escala ao mercado, as comunidades tradicionais mantêm viva a espiritualidade e o respeito pelas águas que sustentam gerações no Espírito Santo.






