Durante um evento de campanha na Avenida Paulista, o vice-presidente Geraldo Alckmin prestou uma homenagem a quatro jovens que perderam a vida durante o regime ditatorial de Getúlio Vargas.
O significado do movimento MMDC
Os rapazes faleceram após um embate contra apoiadores do varguismo ocorrido na região central da capital paulista em maio de 1932. Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade originaram a sigla MMDC, que viria a simbolizar a Revolução Constitucionalista iniciada em julho daquele ano contra o governo provisório.
No período em questão, o país operava sem uma carta magna. Desde sua ascensão ao poder em 1930, Vargas havia extinguido o Congresso Nacional, destituído chefes de executivos estaduais e centralizado as decisões na esfera federal, gerando revolta entre os paulistas que exigiam o sufrágio e o retorno à legalidade.
O episódio de violência se deu em meio a protestos contrários ao governo central, quando oposicionistas investiram contra sedes de facções governistas, resultando em troca de tiros.
Declarações e o contraste histórico
Ao tecer críticas ao bolsonarismo durante o palanque eleitoral, o vice-presidente enfatizou a rejeição paulista a regimes autoritários. “São Paulo não quer ditadura”, disse Alckmin, ao criticar o bolsonarismo. “Nosso ídolo não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Nossos ídolos são os estudantes que morreram na ditadura: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.”
A admiração do Planalto por Vargas
A menção crítica ao período autoritário contrasta com a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acumula declarações de apreço à figura de Getúlio Vargas ao longo de sua trajetória política.
Em coletiva concedida em abril de 2014 no Instituto Lula, o atual mandatário pontuou sua preferência pela fase democrática do ex-ditador. “O Getúlio, que me faz ter mais admiração, é o Getúlio de 1950, 1954”, afirmou Lula, em referência ao período democrático de Vargas, que retornou ao poder pelo voto popular em 1951.
Anos mais tarde, em meados de 2026, o presidente retornou a enaltecer o líder histórico durante evento da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, creditando a ele conquistas sociais fundamentais como o salário mínimo e a CLT.
O reconhecimento federal a Vargas também se materializou no plano legislativo em setembro de 2010, quando Lula sancionou a norma que inseriu o nome do ex-presidente no Livro dos Heróis da Pátria, consolidando seu legado apesar do passado de supressão de garantias democráticas.






