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Homem é condenado por estelionato sentimental em Palmas

Mulher ficou meses sem sair de casa após ex usar imóvel como garantia de dívida com agiotas no TO: 'Prisão domiciliar'

Uma moradora de Palmas que venceu uma ação judicial por estelionato sentimental contra o ex-noivo precisou enfrentar um ano afastada do trabalho e meses de isolamento residencial após ter seu imóvel utilizado como garantia para quitar débitos com agiotas. O golpe resultou em uma condenação que obriga o réu a pagar mais de R$ 456 mil em reparações financeiras e morais, conforme sentença proferida pela 2ª Vara Cível da capital tocantinense.

Como o relacionamento começou e evoluiu para o golpe O criminoso se aproximava das vítimas ostentando uma vida de luxo e fingindo ser um empresário bem-sucedido no setor agropecuário, alegando possuir extensas terras, cabeças de gado e até uma aeronave particular. “Conheci a família dele, tudo bonitinho como manda as tradições. As promessas de relacionamento, casamento, filhos, negócios. Tudo isso, ele foi envendo cada dia mais”, contou a vítima sobre o envolvimento, que durou pouco mais de um ano após o casal se conectar por meio de um aplicativo de namoro em 2021.

A escalada das dívidas e o risco de perder a casa Inicialmente, os pedidos consistiam em quantias menores que, somadas, alcançaram R$ 128 mil em repasses financeiros. Posteriormente, o golpista convenceu a parceira a aceitar a inclusão do imóvel dela como caução em um empréstimo de R$ 150 mil destinado à aquisição de um supermercado no município de Gurupi. “Comprou um comércio para a gente virar sócios. Quando eu vi, já tava me cobrando, agiota querendo me tirar da minha casa”, afirmou. Como o débito não foi honrado, a propriedade passou a ser visada por credores informais, forçando uma renegociação que elevou o montante para R$ 270 mil.

O impacto psicológico e a “prisão domiciliar” Diante das pressões diárias, a mulher buscou refúgio fora de sua residência enquanto tentava reverter a situação por vias legais, conseguindo retornar apenas após ordem judicial. “Passei um ano sem trabalhar. Fiquei três meses longe da minha casa até os advogados conseguirem todo respaldo e o juiz determinou que eu voltasse para minha casa. Mas eu não poderia sair, então estava numa ‘prisão domiciliar'”, relatou. Mesmo após a volta, as ameaças continuaram por ligações e mensagens frequentes de cobrança.

A defesa do réu e a decisão da Justiça Durante o trâmite processual, a defesa do acusado argumentou que a mulher possuía plena capacidade civil e assumiu deliberadamente os riscos inerentes a uma sociedade empresarial, negando a existência de coação ou fraudes. A argumentação foi integralmente refutada pelo tribunal. “A conduta do requerido ultrapassou em muito o mero dissabor cotidiano ou o simples término de um relacionamento amoroso. A requerente viu-se vítima de manipulação emocional degradante, teve sua residência ameaçada por cobranças ostensivas de terceiros, experimentou constrangimento social e familiar e sofreu abalo psíquico intenso”, destacou a sentença. O réu, cuja identidade não foi divulgada e cuja defesa não foi localizada, deverá ressarcir R$ 406.400 em danos materiais — somando transferências e valores de renegociação — e mais R$ 50 mil referentes aos danos morais.

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