Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, filiado ao PL, foi o nome escolhido para compor a chapa como candidato a vice-presidente ao lado de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Trajetória no direito e na segurança pública Natural de Maceió, em Alagoas, onde nasceu em 13 de agosto de 1970, Alfredo Gaspar tem 56 anos e construiu uma carreira multidisciplinar como promotor de Justiça, advogado e docente universitário. Aos 25 anos, ingressou no Ministério Público alagoano, instituição na qual atuou por mais de duas décadas em varas criminais, além de exercer a chefia da procuradoria-geral de Justiça em duas oportunidades e liderar o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).
Mudanças de alianças e transição para a política Embora hoje esteja alinhado ao bolsonarismo, o político manteve proximidade no passado com o senador Renan Calheiros (MDB) e com o ex-governador Renan Filho (MDB), atual ministro dos Transportes da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A convite de Renan Filho, assumiu a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas em 2015, permanecendo no posto até 2016, quando uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu integrantes do Ministério Público de exercerem cargos executivos sem o afastamento definitivo da carreira.
Afastamento definitivo do Ministério Público Em 2020, optou por deixar o MP em definitivo para ingressar na vida partidária, concorrendo à prefeitura de sua cidade natal pelo MDB. Ficou na frente no primeiro turno, mas perdeu a disputa no segundo para João Henrique Caldas, o JHC. Terminado o pleito, retornou ao governo estadual para reassumir a pasta de Segurança Pública.
Mandato legislativo e mudança de legenda O rompimento com o grupo político liderado por Renan Filho ocorreu no começo de 2022, durante as discussões para a sucessão estadual. Na ocasião, trocou o MDB pelo União Brasil e lançou candidatura à Câmara dos Deputados, saindo vitorioso como um dos parlamentares mais votados do estado e o campeão de votos em Maceió. No ano de 2026, transferiu-se para o PL, assumindo a presidência estadual da legenda.
Investigações e contestações judiciais A Polícia Federal chegou a ser acionada para analisar um pedido de investigação contra o deputado sob acusação de estupro de vulnerável, mas o ministro Gilmar Mendes, integrante do STF, ordenou o arquivamento do procedimento. Na sequência, o parlamentar recorreu à Justiça contra a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por disseminação de informações inverídicas relacionadas ao caso. O episódio ocorreu durante uma discussão na CPMI do INSS, momento em que Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador”, gerando a resposta em que o parlamentar chamou o petista de “bandido”. As ações judiciais fundamentam-se nas falas proferidas pelos congressistas e contestadas pelo deputado.
Estratégia para a corrida eleitoral A inclusão de Alfredo Gaspar na chapa presidencial tem o propósito de fortalecer dois eixos centrais da campanha: a ênfase no combate à criminalidade e a consolidação de uma palanque forte na região Nordeste. A seleção de um perfil com histórico na área jurídica e na segurança atende às demandas do eleitorado conservador, ao passo que a penetração política de Gaspar no território alagoano é tratada pela cúpula partidária como fundamental para expandir o alcance da chapa nordeste adentro.






