A popularidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, despencou para o patamar mais baixo de sua gestão, registrando apenas 31% de aprovação, conforme apontou um levantamento divulgado nesta terça-feira (20). O estudo foi realizado pela Reuters/Ipsos a apenas duas semanas das cruciais eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, período em que os eleitores renovam o Congresso.
Cenário eleitoral desfavorável
De acordo com os dados coletados ao longo de quatro dias de pesquisa, 66% dos americanos afirmam desaprovar a atual administração. Se o pleito ocorresse no período da sondagem, a oposição contaria com uma vantagem expressiva de 12 pontos percentuais, com 47% das intenções de voto direcionadas aos democratas, frente a 35% para os republicanos — configurando a maior diferença já documentada no atual ciclo eleitoral.
Atualmente, o partido republicano detém o controle tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado. Caso os democratas consigam virar o jogo em uma ou em ambas as casas legislativas, a governabilidade e a aprovação da pauta presidencial podem sofrer graves entraves nos dois anos restantes do mandato.
Impacto de gênero nas urnas
O recorte demográfico por gênero evidencia o desafio enfrentado pela base governista. Entre o eleitorado feminino, exatamente metade das entrevistadas declarou intenção de votar em candidatos democratas, enquanto apenas 32% manifestaram apoio aos republicanos. Entre os homens, a oposição também lidera, embora com margens mais estreitas.
Inflação e guerra pesam na avaliação
A retração na popularidade do chefe de Estado ganhou força após a deflagração do conflito entre Estados Unidos e Irã no final de fevereiro, operação que contou com o respaldo de Israel. A escalada militar gerou forte inflação nos combustíveis em âmbito global, abalando diretamente a economia, que historicamente representava a principal bandeira política do governo.
O encarecimento do custo de vida desponta como a maior apreensão do eleitorado americano na corrida para o parlamento. Apesar de a inflação se manter em patamares inferiores aos observados na gestão de Joe Biden, os índices voltaram a subir. No mês de setembro, o acumulado em 12 meses atingiu 3,7%, superando os 2,7% verificados no período em que Trump conquistou a presidência.
Como reflexo desse cenário, 68% da população reprova a gestão econômica do presidente. Na avaliação sobre qual partido tem melhor preparo para administrar a economia, os democratas levam vantagem sobre os republicanos, com 40% das preferências contra 33%.
O peso da inflação inclusive ameaça redutos conservadores históricos, a exemplo da Carolina do Norte, que não elege um senador democrata há duas décadas e agora pode ver esse panorama se transformar.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.679 adultos pela internet, dos quais 1.279 são eleitores aptos a votar. O índice de margem de erro é de dois pontos percentuais para o universo total e de três pontos para o subgrupo de eleitores registrados.






