Conversas reveladas por meio de mensagens apontam que Daniel Vorcaro tinha a intenção de investir a quantia de R$ 10 milhões em benefício do próprio sobrinho, que na época da troca de mensagens, em fevereiro de 2025, possuía apenas um ano de idade. Os registros indicam que o plano foi comunicado diretamente ao cunhado do empresário, Fabiano Zettel.
Detalhes das conversas obtidas
Nas mensagens trocadas entre os familiares, o plano financeiro foi detalhado pelo empresário. “Então quero que abra uma conta investimento pra ele e vou fazer 10mm [milhões de] reais aplicação em nome dele”, escreveu Vorcaro. Na sequência, ele destacou que o garoto estaria apto a movimentar os recursos ao atingir a maioridade. “Deixando até lá renda fixa vai ter uma graninha boa rsrs”, afirmou.
A resposta veio logo em seguida de Zettel: “Nossa! Sem palavras!! Obrigado mesmo!! Ele vai amar isso”.
Apesar do registro sobre a intenção de realizar o aporte, os diálogos não contêm comprovantes de transferências bancárias, registros de abertura de conta ou efetivação da compra de ativos financeiros.
Investigação e prisão de Fabiano Zettel
Atualmente, Fabiano Zettel encontra-se sob custódia preventiva desde o dia 4 de março de 2026. Conforme determinação do ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal, ele figura como investigado por atuar na intermediação de pagamentos direcionados ao grupo conhecido como “A Turma”, suspeito de realizar o monitoramento e a intimidação de jornalistas, ex-colaboradores e outros alvos considerados opositores de Vorcaro. A medida restritiva de liberdade foi aplicada devido ao perigo de obstrução das apurações.
Simulações de rentabilidade em renda fixa
Caso o montante milionário tivesse sido direcionado a títulos de renda fixa conforme a sugestão inicial, o capital poderia superar a marca de R$ 40 milhões até que o beneficiário completasse 18 anos, variando de acordo com as taxas de juros vigentes e a estratégia de reinvestimento após os vencimentos. O cálculo toma como base o mês de fevereiro de 2025, utilizando as médias das taxas diárias de compra dos títulos prefixados do Tesouro Direto negociados naquele período.
Considerando um cenário hipotético com taxa constante de 14,79% ao ano ao longo de 17 anos, o valor bruto atingiria aproximadamente R$ 105,3 milhões, desconsiderando taxas e tributos. Já em uma simulação atrelada a 100% do CDI, considerando a taxa de 13,15% ao ano de fevereiro de 2025, o montante alcançaria cerca de R$ 81,7 milhões no mesmo intervalo.
O caso envolvendo o Banco Master
As simulações também abrangeram os CDBs comercializados pelo Banco Master, que chegaram a remunerar 180% do CDI em busca de captação agressiva de recursos. Mantido esse patamar irreal de forma constante por 17 anos, o montante inicial poderia atingir cerca de R$ 370,2 milhões brutos.
Contudo, a estratégia de taxas elevadas gerou debates sobre a solidez da instituição, que posteriormente sofreu uma crise de liquidez e passou a ser investigada por suspeitas de fraudes em carteiras de crédito. Com a liquidação do banco determinada pelo Banco Central, eventuais recursos aplicados na instituição contariam com a cobertura limitada a R$ 250 mil pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).






