A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira, 19, a Operação Backbone para desarticular um esquema de controle ilegal do fornecimento de telecomunicações em favelas cariocas. Entre os alvos capturados estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, esposa de Marcinho VP e genitora do rapper Oruam, além de Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista.
Alvos de destaque e mandados do stf
A ofensiva policial também resultou na detenção do parlamentar municipal Fábio Silva (Podemos), apontado pelos investigadores como proprietário e beneficiário dos provedores sob escrutínio. No total divulgado até o momento da atualização das diligências, dezenas de suspeitos foram capturados em solo fluminense.
As equipes saíram às ruas para cumprir dezenas de mandados de prisão preventiva e buscas, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal. Os procedimentos ocorrem na capital, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
Bloqueio de bens e investigações anteriores
A estratégia financeira da operação determina o congelamento de até R$ 558 milhões em ativos e patrimônios, atingindo dezenas de pessoas físicas e jurídicas, além de paralisar as operações comerciais das empresas suspeitas.
Tanto a mãe quanto o irmão do cantor já haviam figurado em apurações pretéritas sobre suspeitas de ocultação de valores da facção criminosa em abril. Naquela ocasião, Lucas chegou a ter a detenção decretada, mas conquistou liberdade provisória mediante o uso de monitoramento eletrônico meses depois. A acusação apontava que ele exercia função de gestão financeira secundária para o núcleo familiar.
O monopólio da rede nas comunidades
Conforme o inquérito da Polícia Federal, criminosos ligados à facção danificavam cabos, destruíam centrais e bloqueavam equipes de manutenção de concorrentes para impor o serviço de conexão clandestina. Deste modo, habitantes e lojistas eram obrigados a assinar o produto controlado pelo crime organizado, enquanto empresas legalizadas precisavam repassar taxas mensais para atuar nas regiões dominadas.
Dados contábeis apreendidos revelam que a exploração desse mercado ilegal representava fatia expressiva da receita da facção criminosa em complexos de favelas. O fluxo financeiro ilegal passava por empresas de fachada e contas de passagem antes de alcançar os familiares do chefão do tráfico, sendo transformado em imóveis de luxo e ativos digitais.
Para mitigar os danos à população, a corporação policial solicitará à Agência Nacional de Telecomunicações a revogação das licenças e o encerramento das atividades das companhias envolvidas, garantindo alternativas para que os moradores locais não fiquem sem conexão.






