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Imprensa estrangeira repercute primeiro debate presidencial brasileiro

'Caótico' e 'tenso': o que imprensa internacional disse sobre debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

O primeiro encontro televisivo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, realizado no domingo (18) com transmissão da Band, ganhou ampla repercussão na imprensa internacional. Os dois postulantes ao cargo máximo do Executivo não haviam participado de debates nas etapas anteriores do pleito. De acordo com o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, ambos chegam empatados às vésperas da votação definitiva.

Cobertura da mídia francesa e argentina

A versão em inglês do jornal francês Le Monde registrou que os concorrentes “trocaram insultos” no evento.

“Um embate caótico entre os dois candidatos — que, em diversas ocasiões, chamaram um ao outro de mentiroso, acusaram-se mutuamente de corrupção e trouxeram à tona vários escândalos — sintetizou o tom de uma campanha eleitoral acirrada em uma nação profundamente polarizada”, afirma o Le Monde.

O periódico da França apontou ainda que Flávio Bolsonaro adotou uma postura para tentar desestabilizar o atual mandatário “ao caminhar de um lado para o outro atrás dele durante todo o debate, sob o olhar das câmeras, balançando a cabeça, exibindo um sorriso irônico e demonstrando escárnio enquanto o adversário falava”.

“Lula, que, aos quase 81 anos, busca um quarto mandato no poder, se esforçou para controlar sua irritação em alguns momentos e pediu repetidamente aos espectadores que ‘pesquisassem no Google’ para comprovar que seu adversário estava mentindo.”

Análise dos jornais vizinhos

Na Argentina, o Clarín pontuou que o debate foi conduzido sob um “clima de tensão”.

“Os dois candidatos trocaram acusações de suposta corrupção, com o presidente Lula tentando assumir a dianteira — uma estratégia para recuperar pontos junto ao eleitorado após ter perdido, de forma surpreendente, o primeiro turno”, escreveu o jornal argentino.

“No primeiro embate direto, o presidente associou seu rival aos interesses dos EUA e também o vinculou à ‘motosserra’ do [presidente] argentino Javier Milei. Bolsonaro recorreu a denúncias de corrupção no governo do líder do PT.”

O diário La Nación endossou a leitura ao ressaltar que “Milei e a corrupção marcaram o debate áspero entre Bolsonaro e Lula”.

“Mais do que um confronto de ideias, foi uma troca de acusações mútuas, golpes baixos e provocações, na qual ambos apostaram na mesma estratégia: aumentar a rejeição ao adversário. Houve pouquíssimas propostas e pouco debate sobre políticas públicas”, escreveu o La Nación.

“O debate terminou rendendo vários trechos para as redes sociais de ambos os candidatos, mas sem provocar um deslize ou erro decisivo que pusesse a balança a pender para um lado.”

Visão da imprensa espanhola e do Oriente Médio

O jornal espanhol El País resumiu o embate na manchete como “um Lula tecnocrata diante de um Bolsonaro provocador”.

“Os candidatos protagonizam um confronto de alta tensão, no qual o senador buscou irritar um presidente que desperdiçou a oportunidade de romper o empate”, afirma o El País.

Em outra matéria veiculada pelo veículo da Espanha, a análise apontou que “O confronto direto não demorou a esquentar e foi marcado por ataques”.

“[Flávio] Bolsonaro tentou encurralar Lula com acusações de suposta corrupção ligadas ao seu filho e ao seu partido, enquanto o presidente, irritado, acusou-o de ter ligações com o crime organizado, chamou-o de mentiroso e afirmou que ele participou de conspirações nos EUA.”

Por fim, a rede catariana Al Jazeera reportou que os políticos “trocaram uma série de ataques pessoais durante o primeiro debate”.

“Lula chamou [Flávio] Bolsonaro de ‘mentiroso contumaz’ e ‘bandido’, e, no palco, manteve distância física do candidato — a quem classificou como ‘miliciano’, em alusão aos seus supostos vínculos com grupos paramilitares do Rio de Janeiro.”

“[Flávio] Bolsonaro, que liderou o primeiro turno da eleição com 47% contra 45% de Lula, disse que era melhor manter Lula à distância, ‘porque minha carteira poderia ser roubada'”, concluiu a Al Jazeera.

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