Home / Brasil / Trabalhador rural formado na EJA passa em dois concursos no Amapá

Trabalhador rural formado na EJA passa em dois concursos no Amapá

Estudante da EJA supera rotina do trabalho no campo e 'passa' em dois concursos públicos no Amapá

A conquista da estabilidade financeira por meio do serviço público exigiu uma dose extra de perseverança para Wenderson Soares. Após concluir o ensino médio em 2021 pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), o jovem enfrentou o desemprego e a escassez de recursos básicos antes de transformar sua realidade e garantir a aprovação em duas seleções concorridas no Amapá.

O despertar para a carreira pública e os primeiros tropeços

Sem condições financeiras para arcar com materiais ou cursos preparatórios, o incentivo para mudar de rumo surgiu a partir de um diálogo despretensioso. Ao perceber que o funcionalismo poderia transformar seu padrão de vida, Wenderson recorreu à internet para pedir auxílio a um professor nas redes sociais.

“Eu conversava com um amigo e ele me disse sobre as vantagens do concurso público. Disse que era uma situação muito melhor do que a que eu vivia. Então bateu em mim e eu pensei: ‘cara, o que eu estou fazendo aqui?’. […] O que me despertou o interesse mesmo foi o salário e a estabilidade, porque não adianta querer sonhos altos sem correr atrás deles. Meu grande interesse sempre foi melhorar de vida e ajudar minha família”, relembrou.

A primeira tentativa ocorreu em 2022, no certame para soldado da Polícia Militar (PM). A ausência do nome na lista de classificados abalou a confiança do estudante.

“Meu primeiro concurso foi o da PM, em 2022. Levei uma ‘porrada’. Fiquei triste porque meu nome não saiu na lista. Eu tinha estudado bastante e fiquei muito desapontado comigo mesmo. Acabei dando uma parada e desanimei”, lamentou.

Jornada pesada no campo e noites em claro

A virada de chave aconteceu em 2024. Já atuando como motorista em uma grameira, ele decidiu retomar os cadernos com afinco máximo. Para cumprir o cronograma de estudos, foi preciso abdicar de momentos de descanso e montar um planejamento quase militar para aproveitar a madrugada.

“Eu trabalhava na grameira das 8h às 14h e, das 14h às 18h. Eu pegava para estudar para o Ministério Público das 18h às 20h, e depois voltava das 23h às 4h. Quando saiu o edital da Guarda, eu estudava das 18h às 22h, descansava até 0h e depois retornava até as 4h. Sábado e domingo eram os períodos de revisões e redações”, explicou.

Com sessões que alcançavam até sete horas diárias de foco e dedicação aos fins de semana, a caminhada ganhou reforço quando o jovem ingressou em uma mentoria especializada e reencontrou o professor que o apoiou no começo dos estudos, formando uma rede de amparo essencial para mantê-lo motivado.

Colheita de resultados e novos objetivos

O esforço trouxe recompensas concretas. Wenderson assegurou vagas no concurso do Ministério Público e na Guarda Civil Municipal de Macapá, onde aguarda o início do curso de formação. Mesmo com o futuro profissional encaminhado, ele segue empenhado na busca por novas conquistas acadêmicas e profissionais.

“Continuo estudando, buscando novas oportunidades e acreditando que a educação é uma das ferramentas mais poderosas para transformar uma vida. Se eu pudesse deixar uma mensagem para quem está começando ou pensando em desistir, seria esta: não importa de onde você veio, quanto dinheiro tem ou quantas vezes já fracassou. O que importa é não permitir que suas dificuldades determinem o tamanho do seu futuro” disse.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *