O renomado cantor e compositor Benito Di Paula faleceu aos 84 anos neste domingo (18), em São Paulo, vítima de um câncer de próstata. Nascido em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o artista deixou um legado marcante na música popular brasileira, com uma carreira repleta de sucessos que conquistaram o país e o exterior.
Homenagem no carnaval paulista No ano passado, a trajetória do músico foi celebrada pela escola de samba Águia de Ouro no Carnaval de São Paulo. A agremiação levou para a avenida o enredo “Em Retalhos de Cetim, a Águia de Ouro do jeito que a vida quer”, destacando a forte ligação da família do artista com a folia.
“É emocionante, não tem como explicar. É um presente que a Águia de Ouro está dando para mim. O maior troféu que um artista pode receber”, disse o cantor na época. A homenagem também relembrou a fundação da Unidos da Saudade, escola de samba de Nova Friburgo criada por seu pai.
Amor pela Região Serrana Em entrevista concedida em fevereiro de 2025, o cantor celebrou a alegria de ser enredo no carnaval paulista e demonstrou profundo afeto por sua terra natal. O artista costumava se autodenominar “o homem da montanha”, em referência à canção homônima lançada em 1976, que expressava o desejo de retornar à Serra em meio à rotina da metrópole.
“É a minha terra, sou o ‘Homem da Montanha’. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas. Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração”, contou. Ele também reforçou o vínculo com o carnaval serrano: “Tenho a minha escola de samba lá, que foi fundada pelo meu pai, que é a Unidos da Saudade”.
Estilo único e sucesso internacional Batizado como Uday Vellozo em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, o artista adotou o nome artístico Benito Di Paula e alcançou notoriedade nacional nos anos 1970. Com mais de 50 milhões de discos vendidos globalmente — sendo quatro milhões somente na Europa —, ele eternizou clássicos como Retalhos de Cetim, Charlie Brown e Mulher Brasileira.
Diferente de outros nomes do samba da mesma época, Benito recusava o rótulo de sambista tradicional e preferia se definir como “sambeiro” e “pianeiro”. Utilizando o piano de forma percussiva e com arranjos românticos, sua batucada singular antecipou tendências do pagode paulista dos anos 1990, consolidando uma identidade artística inconfundível na cultura brasileira.






