A vantagem eleitoral do presidente Lula sobre a família Bolsonaro diminuiu em 98% dos municípios localizados na região Nordeste entre as disputas do primeiro turno de 2022 e o pleito de 2026.
O crescimento da direita no agronegócio nordestino
Dados coletados mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu expandir a votação do campo conservador na região, com destaque para municípios de pequeno e médio portes que possuem forte ligação com o agronegócio.
Apesar desse avanço do adversário, o atual presidente preservou o Nordeste como seu principal bastião eleitoral, acumulando 21,5 milhões de sufrágios nos nove estados. Em contrapartida, Flávio registrou 10,4 milhões de votos, um patamar 18,3% maior do que o alcançado por Jair Bolsonaro no pleito de 2022.
Mudanças expressivas em municípios baianos
Na cidade baiana de Dom Macedo Costa, por exemplo, a margem favorável a Lula despencou de 48 pontos porcentuais em 2022 para 23,7 pontos no pleito atual. Enquanto o petista oscilou de 71,5% para 59,3% dos votos, o grupo político dos Bolsonaro subiu de 23,5% para 35%.
A localidade é administrada pelo prefeito Tote Fróes (União Brasil), que declarou apoio a Flávio na primeira etapa da votação. Para o chefe do executivo municipal, o fortalecimento da direita evidencia o desgaste acumulado pela legenda governista. São 20 anos no poder e tudo tem um limite, afirmou. Por outro lado, o ex-prefeito Guito (PT) atribuiu o cenário ao poder econômico da oposição.
Uma dinâmica semelhante foi registrada em Caldeirão Grande, no sertão da Bahia, onde a distância que favorecia o petista caiu de 64 pontos porcentuais em 2022 para 39 pontos em 2026, contando com a articulação do prefeito Pedro Henrique Bezerra (PP).
Expansão em áreas agrícolas e novos apoios de prefeitos
O movimento de expansão da direita também alcançou polos de produção agrícola como Formosa do Rio Perto, Baianópolis e Barra da Estiva, na Bahia, além de Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí — município que viu a diferença entre os concorrentes cair em cerca de 29 pontos porcentuais.
O engajamento de prefeitos desempenhou um papel central na disputa regional. No território baiano, somente nove dos 417 gestores municipais caminharam com Flávio no primeiro turno, mas esse grupo saltou para mais de 40 adesões na etapa seguinte, de acordo com o presidente estadual do PL, João Roma.
Como reflexo dessa movimentação, Flávio conquistou a vitória em 15 municípios nordestinos onde seu pai havia sido derrotado quatro anos antes, a exemplo de Balsas (MA), cidade marcada pela força do agronegócio. Proporcionalmente, os melhores resultados do senador na região ocorreram em Alagoas, seguidos por Rio Grande do Norte e Paraíba.
Em sentido oposto, Lula conseguiu ampliar sua margem em apenas 30 das quase 1.794 cidades nordestinas, com maiores crescimentos concentrados no Piauí e no sul baiano. Apesar da retração na diferença de votos, o presidente segue liderando a preferência no panorama regional.






