O sistema oficial do Tribunal Superior Eleitoral tem registrado como modificações de locais de votação situações em que, na prática, os endereços das seções para o segundo turno continuam exatamente os mesmos do primeiro. Essa falha técnica resulta em um número de alterações efetivas bem menor do que o divulgado inicialmente pela plataforma digital do órgão federal.
Inconsistências em dados de tribunais regionais
Diante das divergências encontradas nos registros, os Tribunais Regionais Eleitorais assumiram a tarefa de esclarecer publicamente quais endereços realmente sofreram modificações. Em estados como Pernambuco e Alagoas, o sistema federal apontou mudanças que sequer aconteceram, duplicando nomes de escolas ou reaproveitando cadastros antigos de pleitos anteriores, como os de 2024.
Procurada, a assessoria do órgão federal informou que vai apurar o que aconteceu e afirmou que o sistema está sendo atualizado. Com o avanço das correções, a contagem de seções modificadas apresentou quedas expressivas ao longo do domingo, embora alguns erros ainda tenham persistido na visualização pública durante o processo de ajuste dos dados.
A visão de especialistas sobre o impacto no pleito
Especialistas em direito eleitoral apontam que, embora alterações logísticas por motivos de infraestrutura ou acessibilidade sejam normais entre os turnos, a divergência numérica prejudica a confiança na instituição. A advogada eleitoralista e mestre em Direito Emma Roberta Bueno afirma que mudanças nos locais de votação entre o primeiro e o segundo turno são comuns e podem ocorrer por problemas de acessibilidade, falta de energia ou danos causados por chuvas e ventos. O que chama a atenção, segundo ela, é a inconsistência entre os números divulgados.
“É importante que a gente diga de forma expressa, para não alimentar desinformação, que o endereço informado no e-título está correto. Mas essa confusão com os números gera ruído e desconfiança num momento em que a Justiça Eleitoral deveria ser a fonte mais segura de informação”, disse Bueno.
Para o advogado Fernando Naisser, a consolidação rápida dos dados é fundamental para garantir o direito ao voto. O advogado considera essencial que o levantamento de seções alteradas seja consolidado o mais rápido possível. “Não faz sentido que isso siga acontecendo durante a semana, porque aí tornaria praticamente impossível as pessoas serem informadas”, afirmou.
Força-tarefa e cobranças por comunicação ativa
Estados como Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro registraram discrepâncias gritantes entre os números do sistema central e os levantamentos locais feitos pelas cortes regionais. Enquanto o tribunal superior contabilizava dezenas de mudanças, as equipes locais confirmavam apenas uma fração mínima de alterações reais. O TSE esclareceu que a gestão logística não é centralizada, ficando a cargo de cada zona eleitoral avaliar a infraestrutura local.
Apesar da autonomia das zonas, especialistas defendem que a Justiça Eleitoral adote métodos mais diretos para alcançar o cidadão, evitando depender apenas de buscas ativas. Para a advogada Emma, a Justiça Eleitoral deveria adotar uma comunicação ativa com os eleitores afetados, em vez de depender apenas de consultas individuais aos sistemas.
“Os avisos poderiam ser enviados pelo próprio aplicativo ou por mensagens aos eleitores. Outra medida seria sinalizar, nos prédios utilizados no primeiro turno, os novos endereços das seções transferidas”, disse a advogada.
Segundo Naisser, o principal desafio é garantir que as pessoas sejam informadas sobre eventuais mudanças com tempo hábil. “O principal ponto aqui é que a Justiça Eleitoral consiga informar em tempo as pessoas e não só presumir que as pessoas vão entrar no e-Título e ver”, afirmou.
Para evitar transtornos no dia da votação, a recomendação oficial repassada aos cidadãos é realizar a consulta prévia do endereço exato utilizando ferramentas digitais oficiais, como o aplicativo e-Título ou a página de Autoatendimento Eleitoral.






