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Quênia confirma novo caso de ebola enquanto surto avança no Congo

Quênia confirma oitavo caso de ebola enquanto surto avança no Congo

As autoridades de saúde do Quênia confirmaram neste domingo (18) o oitavo caso de ebola no país. A confirmação ocorre no momento em que a epidemia continua avançando na vizinha República Democrática do Congo, alcançando uma oitava província e mantendo governos da região em alerta máximo contra a disseminação do vírus.

Transmissão e sintomas no Quênia O paciente recém-diagnosticado é um homem de 49 anos que não atua na área médica. De acordo com Patrick Amoth, diretor-geral de Saúde do país, o homem teve contato direto com o primeiro caso registrado em solo queniano no início de outubro, atuando como acompanhante e realizando a limpeza de utensílios e roupas de cama de um paciente que viajou do território congolês para Nairóbi e acabou falecendo em 5 de outubro.

O infectado começou a manifestar os primeiros sinais da doença no sábado, sendo imediatamente isolado dos demais indivíduos que cumpriam quarentena. “Hoje, 38 pessoas foram testadas, e uma delas teve resultado positivo para ebola”, disse Amoth. “Ele apresentou febre, dor de cabeça e dores musculares.”

Expansão geográfica na República Democrática do Congo Enquanto isso, o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo confirmou duas novas ocorrências em Nord-Ubangi, região norte localizada na fronteira com a República Centro-Africana. As vítimas são dois jovens na faixa dos 20 anos moradores de Wapinda, zona próxima a Bas-Uele, onde a enfermidade já havia sido detectada anteriormente. Um dos pacientes não resistiu e morreu.

O atual surto congolês, iniciado em meados de maio, já acumula mais de 9.400 casos e ultrapassou 4.500 óbitos, configurando a epidemia mais letal da história do país. O vírus também se expandiu para outras nações da região, embora Uganda tenha declarado posteriormente estar livre da infecção e a República Centro-Africana siga sem registros oficiais.

Desafios e novas restrições sanitárias Para conter a propagação do vírus — provocado pela variante rara Bundibugyo, que não possui vacina ou tratamento específico aprovado —, o governo de Kivu do Norte anunciou o bloqueio temporário na entrada de pessoas procedentes de Ituri por uma semana a partir desta segunda-feira (19).

Também foram estabelecidas limitações no transporte, proibindo mais de duas pessoas em motocicletas e quatro em automóveis, além da suspensão de grandes aglomerações, eventos esportivos, atividades em casas noturnas e atos políticos.

“Observamos que, em geral, os focos de ebola estão diminuindo, mas, infelizmente, a doença está se espalhando geograficamente”, disse Mohamed Yakub Janabi, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, em entrevista à Associated Press na sexta-feira, em Beni, no leste do Congo.

O representante da OMS destacou que o principal entrave é convencer os doentes a buscarem ajuda médica de forma precoce, visto que muitos óbitos ainda ocorrem diretamente nas comunidades antes da chegada aos centros de tratamento. Fatores como a desconfiança popular, a violência armada de grupos rebeldes, o deslocamento populacional em massa e as condições difíceis de trabalho dos profissionais completam o cenário de desafios no combate à doença.

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