Legisladores de oposição intensificaram, durante o fim de semana, a mobilização para coletar assinaturas necessárias com o propósito de viabilizar a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A iniciativa surge na sequência de acusações públicas feitas pela lobista Roberta Luchsinger envolvendo Lulinha.
Oposição busca apoio para o colegiado A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) formalizou seu apoio ao pedido encabeçado pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT). O colegiado tem como foco examinar potenciais episódios de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido, conflitos de interesses e o uso da máquina pública para atender demandas particulares.
“Acabo de assinar o requerimento de autoria da deputada coronel Fernanda para criar uma CPMI que investigue o tráfico de influência, corrupção e favorecimento ilícito no contexto das denúncias que envolvem Roberta”, declarou Damares.
Investigações e alvos da CPMI A articulação política ganhou tração na última semana, impulsionada pela repercussão de uma entrevista concedida por Luchsinger à CNN Brasil, na qual a lobista detalhou sua proximidade com Lulinha e ministros do atual governo. Tanto Luchsinger quanto Lulinha já são alvos de apurações conduzidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto, que examina esquemas de fraudes no INSS.
O documento base da investigação aponta que a meta principal é esclarecer atos administrativos, conexões e movimentações financeiras suspeitas envolvendo a lobista, o filho do presidente e autoridades públicas. Entre os episódios sob escrutínio estão supostas reuniões de Lulinha com ministros — incluindo uma viagem à residência do então titular da Educação, Camilo Santana, no Ceará — e a relação contratual entre Roberta e Antonio Camilo, o ‘Careca do INSS’.
Requisitos e proteção à testemunha Para que a CPMI seja instalada de fato no Congresso Nacional, os parlamentares precisam angariar o apoio mínimo de 27 senadores e 171 deputados federais, meta que passou a liderar a pauta da oposição em Brasília.
Em paralelo, congressistas acionaram diferentes órgãos públicos neste sábado para requerer a inserção imediata da lobista no programa de proteção à testemunha, alegando ameaças à segurança dela e de sua família.
“Eu, Zucco e Sanderson estamos assistindo juntos à entrevista de Roberta Luchsinger à CNN”, escreveu no X o senador eleito Marcel Van Hattem (Novo-RS). “Estamos solicitando imediatamente sua inclusão no programa de proteção à testemunha. Suas denúncias contra Lula são gravíssimas e demonstram o enorme risco de vida que ela e suas filhas correm.”
Por sua vez, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-RJ), líder da oposição na Câmara, informou ter protocolado pedidos formais em diversas instâncias. As medidas englobam ofícios direcionados à PF, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
O parlamentar também exigiu esclarecimentos do Ministério da Justiça por meio de um requerimento com prazo regulamentar de 30 dias, além de propor a convocação do ministro para prestar esclarecimentos na Comissão de Segurança Pública.






