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Ciberataque na França estraga toneladas de alimentos em mercados

Ciberataque na França expõe vulnerabilidades de aparelhos smart

Um ataque cibernético sem precedentes atingiu centenas de supermercados na França, resultando na perda de toneladas de alimentos e gerando alertas urgentes sobre a fragilidade de sistemas de segurança digital diante de técnicas avançadas de invasão. A ofensiva cibernética teve como alvo os sistemas de refrigeração conectados à internet fabricados pela empresa dinamarquesa Danfoss. Os invasores elevaram a temperatura de geladeiras e congeladores para até 50º C em cerca de 700 estabelecimentos espalhados por todo o país europeu, conforme confirmou o ministro francês das Finanças, Roland Lescure.

Diante do incidente, a agência de cibersegurança da França orientou as empresas usuárias desses equipamentos a desconectarem os aparelhos da internet imediatamente, restringirem o acesso e aplicarem atualizações de software com urgência. Até o momento, a autoria do ataque permanece desconhecida.

Do mundo virtual para o impacto físico

Equipamentos industriais que antes operavam isolados da rede passaram a ser conectados para permitir monitoramento remoto, conforme explicou Antoine Hautin, secretário-geral da consultoria de cibersegurança Almond, à agência de notícias AFP. A ausência de defesas robustas, como controle de acesso e correções regulares de segurança, deixa qualquer infraestrutura exposta, avaliou Olivier Daloy, especialista em segurança cibernética da Zscaler.

Segundo Daloy, o princípio desse ataque é comparável ao do vírus Stuxnet, de 2010. O especialista detalha que as infraestruturas combinam TI com equipamentos físicos de tecnologia operacional mais antigos, permitindo que invasores provoquem danos reais. “Estamos diante de um ataque à chamada internet das coisas [IoT, na sigla em inglês]”, explica ele. Trata-se de máquinas que “não possuem tela nem teclado”, mas que, ainda assim, são acessíveis via rede e podem, em certos casos, ser controladas remotamente.

O especialista aponta que a exploração de falhas técnicas ou o uso de credenciais comprometidas viabilizam as invasões. “O risco imediato é o desperdício de alimentos, e o segundo risco é causar um impacto físico, com perigo de incêndio, quando as geladeiras atingem 50º C”, completou.

Histórico de ataques no varejo global

Ocorrências similares já foram registradas em solo norte-americano e em outros países da Europa. No Reino Unido, a rede Marks & Spencer enfrentou um sofisticado ataque de ransomware em abril de 2025, arcando com custos de cerca de 300 milhões de libras após suspender pedidos online. A ação foi atribuída ao grupo Scattered Spider, utilizando o ransomware do grupo DragonForce, com tentativas direcionadas também à Co-op e à Harrods.

Nos Estados Unidos, a United Natural Foods relatou em junho do mesmo ano um ciberataque que paralisou suas operações de alimentos congelados. Meses mais tarde, em novembro, a Ahold Delhaize USA sofreu uma invasão que interrompeu as atividades em mais de 2.000 lojas.

Vulnerabilidade em dispositivos domésticos e carros

Especialistas alertam que o perigo se estende a residências e automóveis. Aparelhos como geladeiras, câmeras de segurança, termostatos e carros com acesso à internet apresentam vulnerabilidades semelhantes se estiverem conectados à rede. Roteadores concentram mais de três quartos dos ataques a dispositivos conectados, servindo muitas vezes como porta de entrada para invasores coletarem dados ou assumirem o controle total dos aparelhos.

No setor automotivo, falhas em sistemas conectados já foram demonstradas por pesquisadores que conseguiram controlar veículos à distância ou destravar portas utilizando apenas o número da placa.

Como proteger seus dispositivos

Para mitigar os riscos de invasão, profissionais de segurança recomendam a troca de senhas padrão, a ativação da autenticação em duas etapas e a instalação constante de atualizações de software. A recomendação principal é manter na rede apenas os dispositivos estritamente necessários, reduzindo os pontos potenciais de entrada para cibercriminosos.

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