Moradores de Limoges, na região sudoeste da França, encontraram a prefeitura local reduzida a ruínas na manhã deste domingo (18), após uma noite de violência generalizada motivada pela revolta com a alta do custo de vida na Europa.
Ataque com aríete e destruição do telhado
O monumento neorrenascentista do século 19, que havia resistido intacto a duas guerras mundiais, foi alvo de criminosos mascarados durante os atos de sábado (17). Populares assistiram sem poder reagir enquanto o fogo consumia a cobertura e fazia desabar a torre do relógio de 43 metros de altura, remetendo o público à lembrança do incêndio que atingiu a Catedral de Notre-Dame em 2019. O telhado veio abaixo sobre os pavimentos inferiores, preservando unicamente a ala oeste e uma parcela da fachada externa.
Inspirado no design da prefeitura de Paris e inaugurado em 1883, o prédio era oficialmente tombado como patrimônio histórico. Maurice Barate, representante do governo nacional na área, definiu o episódio como uma “catástrofe patrimonial”. No domingo, a praça foi tomada por moradores perplexos e peritos que mediam o tamanho do prejuízo.
Reação das autoridades e ameaça de renúncia
O prefeito Guillaume Guerin explicou que o contingente policial local foi sobrepujado por centenas de manifestantes agressivos. Os invasores estilhaçaram vidraças e empregaram um tronco pesado como aríete para arrombar a entrada principal do complexo municipal.
“A logística, a organização e a premeditação por trás do ataque de ontem à prefeitura é algo que considero insuportável”, disse Guerin aos jornalistas.
O chefe do executivo municipal, ligado à centro-direita, apontou a ausência de reforços policiais como fator determinante para o desastre, visto que os agentes federais estavam empenhados em conter tumultos nas vias públicas.
“Eu não tinha um único policial nacional para proteger a prefeitura. Este país vai mal, este país vai muito mal, e é um pequeno prefeito de província quem está dizendo isso”, criticou Guerin.
Conversando com a agência Reuters, o gestor público condicionou sua permanência no cargo ao repasse de 1 milhão de euros — aproximadamente R$ 5,69 milhões — fundamentais para a reconstrução do patrimônio.
Impacto emocional nos moradores
O clima de choque tomou conta de cidadãos como a enfermeira aposentada Edith Lorcen, que acompanhava o cenário de destruição na praça central. “Estou enojada. Estou magoada”, disse ela. “Mas isso não ajuda em nada se adicionarmos mais ódio por cima do ódio.”
Sentimento semelhante foi externado por Françoise Faurie, que pretendia batizar a neta no local no mês seguinte. “Partiu meu coração. Eu vi Notre-Dame toda de novo, só que desta vez era a nossa cidade”, desabafou Françoise Faurie, que testemunhou o ataque.






