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Lula e Flávio Bolsonaro invertem papéis e estratégias no Instagram

No Instagram, Lula muda o discurso no segundo turno, e Flávio Bolsonaro mantém foco em voto e confronto

Na reta final da disputa eleitoral, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mudaram completamente a forma de usar o Instagram, assumindo papéis invertidos em relação ao início do ano. Uma análise inédita de 2.129 publicações feitas nos perfis oficiais de ambos entre 1 de janeiro e 14 de outubro de 2026 revela transformações profundas no vocabulário, no ritmo de postagens e no nível de confronto direto adotado pelos dois políticos nas redes sociais.

Evolução das campanhas e volume de publicações Enquanto a pré-campanha foi marcada por um ritmo intenso e publicações mais frequentes de Flávio Bolsonaro, o cenário mudou drasticamente a partir de agosto. O senador publicou 804 posts na primeira fase (média de 24,8 por semana), superando os 501 conteúdos de Lula (15,4 semanais). No entanto, a partir de julho, o presidente acelerou a produção, disparando para uma média de 10,3 posts por dia nos dois turnos, o que representa mais do que o triplo do ritmo do adversário.

Essa guinada no volume alterou também o patamar de engajamento total. Na fase inicial, as postagens de Flávio somaram 146,1 milhões de interações contra 58,3 milhões de Lula. Já no período eleitoral oficial, o petista assumiu a liderança com 182,1 milhões, enquanto o candidato do PL acumulou 81,8 milhões de curtidas e comentários.

Estratégias de confronto e menções ao rival A mudança mais visível ocorreu no tom adotado nas legendas. Antes de agosto, Lula sequer mencionava os nomes de Bolsonaro ou Flávio em suas publicações. O cenário se transformou no primeiro turno, quando o adversário apareceu em cerca de 4% dos textos, e escalou no segundo turno, chegando a 26% para “Bolsonaro” e 20% para “Flávio”. Um dos exemplos de maior repercussão foi o vídeo publicado em 8 de outubro com a frase “O Brasil perde com Flávio Bolsonaro”, que alcançou 22,3 milhões de reproduções.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro reduziu proporcionalmente as menções nominais a Lula, passando de um a cada cinco posts na pré-campanha para 18% no primeiro turno e 15% no segundo. Apesar disso, o senador manteve o foco em publicações de forte apelo confrontacional. Um exemplo ocorreu em 14 de outubro, quando o candidato do PL publicou um vídeo dirigido a Lula, em que anuncia que vai participar do debate realizado pela TV Bandeirantes, neste domingo (18), e diz “vou esfregar a verdade na tua cara”. A gravação se tornou o conteúdo mais visto do senador no segundo turno, com 26,2 milhões de reproduções. Vale lembrar que, um dia antes de postar esse vídeo, Flávio Bolsonaro havia dito que não participaria do debate.

Mudanças no vocabulário e foco dos candidatos O vocabulário de Lula acompanhou a transição de tom governamental para a mobilização eleitoral. Na pré-campanha, termos como “indústria”, “programa”, “novo PAC” e “inteligência artificial” dominavam. No segundo turno, o foco passou a ser a mobilização da base, com destaque para a bandeira do fim da escala 6×1, aprovada pelo Senado em 14 de outubro, além do aumento expressivo no uso de palavras como “povo”, “família” e expressões de incentivo.

Já Flávio Bolsonaro manteve um discurso centrado na chamada ao eleitor desde o início. Os termos “vote” e “vencer” lideram as legendas do senador de ponta a ponta, aparecendo em mais da metade das publicações nas diferentes fases da disputa. No final do primeiro turno, o termo “censura” ganhou força em posts de grande alcance, enquanto na etapa final o foco se voltou para denúncias sobre restrições na propaganda eleitoral na televisão.

Contexto das plataformas e formato dos vídeos A disputa digital também passou por debates externos sobre o funcionamento das redes sociais. Em meados de outubro, reportagem da imprensa revelou que funcionários da Meta reconheceram falhas técnicas que prejudicaram contas de Lula na plataforma. Em nota, a empresa negou interferência nas eleições e afirmou que houve uma falha técnica global em 7 de outubro que afetou criadores em mais de 100 países. “Durante cerca de cinco horas, as contagens de visualizações ficaram congeladas, incorretas ou zeradas, embora o conteúdo continuasse sendo distribuído normalmente. O incidente afetou criadores em mais de 100 países”, informou a empresa.

No que diz respeito aos formatos, os vídeos continuaram soberanos, representando até 96% das publicações de Flávio Bolsonaro. Lula, que começou o ano misturando fotos e carrosséis com imagens de sua equipe, também ampliou expressivamente o uso de vídeos, alcançando 81% de participação desse formato no segundo turno.

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