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História esquecida: vikings chegaram à América 500 anos antes de Colombo

A 'história esquecida' dos vikings que chegaram à América 500 anos antes de Cristóvão Colombo

Embora Cristóvão Colombo seja historicamente associado à chegada à América em 1492, ele não foi o primeiro europeu a alcançar o continente. Cinco séculos antes, navegadores vikings já haviam atravessado o Atlântico Norte em etapas, utilizando a Islândia e a Groenlândia como bases até pisarem em território americano.

O valor histórico do Flateyjarbók

As explorações nórdicas foram documentadas em sagas que misturam literatura épica e registros reais. Entre os principais documentos está o manuscrito Flateyjarbók, datado do século 14.

Em 1966, o apresentador da BBC Magnus Magnusson descreveu o Flateyjarbók (Livro de Flatey ou Livro da Ilha Plana), manuscrito do século 14, como “um dos mais valiosos manuscritos islandeses que existem”.

O manuscrito ganhou tanta notoriedade que, em 1893, os organizadores da Exposição Universal de Chicago tentaram exibi-lo.

O livro é tão valioso, disse Magnusson, que, em 1893, quando os organizadores da Exposição Universal de Chicago pediram o manuscrito emprestado para comemorar, com um ano de atraso, os 400 anos da viagem de Colombo, “ofereceram enviar um navio de guerra à Dinamarca para buscá-lo, transportá-lo pelos Estados Unidos em um trem blindado e contratar um seguro de US$ 1 milhão [cerca de R$ 5 milhões, na cotação atual sem correção monetária]. Mesmo com todas essas garantias, os dinamarqueses não quiseram correr o risco”.

O fascínio pelo documento ocorre porque ele traz registros detalhados sobre a expansão nórdica.

Porque ele contém “o relato da colonização nórdica da Groenlândia no século 10 e, o que é ainda mais surpreendente, a história da descoberta da América do Norte pelos nórdicos e da tentativa de colonizar a região poucos anos depois, cinco séculos antes de Colombo”.

Provas arqueológicas da exploração viking

A presença dos povos nórdicos no continente americano deixou rastros materiais sólidos. Em 1960, arqueólogos encontraram um acampamento em L’Anse aux Meadows, na ilha de Terra Nova, no Canadá. Técnicas modernas de datação aplicadas em 2021 confirmaram que o local foi ocupado pelos vikings há cerca de mil anos.

“Este é o começo de uma história esquecida: os séculos em que europeus visitaram a América em viagens que não deixaram registros escritos, apenas rastros nas águas”, afirmou Robin Ellis em um episódio de 1997 da série documental Timewatch, da BBC.

A partir da Groenlândia, os navegadores percorreram cerca de 320 km pelo estreito de Davis até a ilha de Baffin (batizada de Helluland), seguiram para Labrador (Markland) e chegaram ao sul na chamada Vinlândia.

“As sagas mostram que esses homens não pararam em um único lugar, mas passaram por vários”, afirmou Emily Lethbridge, da Universidade da Islândia, ao programa Timewatch, em 2016.

“E passaram vários anos longe de casa. Tinham todo um mundo novo para explorar.”

O exílio de Erik, o Vermelho

As expedições também estão ligadas a figuras célebres, como Erik, o Vermelho. Banido da Islândia em 982 após uma disputa sangrenta, ele fundou uma colônia na Groenlândia que perdurou por 500 anos.

“Erik, o Vermelho, foi o primeiro islandês a descobrir a Groenlândia e estabelecer um povoado permanente na região”, afirmou Lethbridge.

“Eram pessoas dispostas a correr riscos e enfrentar enormes desafios físicos, como atravessar o Atlântico em embarcações abertas para descobrir o que havia do outro lado”, disse Lethbridge.

As viagens continuaram sob a liderança de herdeiros como Leif Eriksson, com registros arqueológicos que atestam deslocamentos esporádicos por centenas de anos.

Colombo tinha conhecimento prévio?

Pesquisadores apontam indícios de que o navegador genovês sabia das rotas nórdicas antes de sua histórica viagem em 1492. Documentos da época sugerem que marinheiros ingleses já navegavam para o norte com frequência.

“Temos inúmeras evidências de que, durante toda a Idade Média, foram realizadas viagens entre as regiões que hoje conhecemos como Groenlândia e América do Norte”, afirmou Kirsten Seaver, historiadora especializada em navegação medieval, ao programa Timewatch.

Há teorias de que a rota escolhida por Colombo, mais longa e ao sul, pode ter sido uma tentativa deliberada de evitar áreas já dominadas por europeus.

“Colombo sabia, assim como qualquer navegador sabe hoje, que, para atravessar oceanos no Hemisfério Norte, é preciso seguir para o norte, onde a distância a percorrer é menor, fazer a travessia rapidamente e depois descer novamente”, afirmou McGhee, do Museu Canadense da Civilização, ao programa Timewatch.

“Mas Colombo fez o contrário: escolheu a rota mais longa, atravessando diretamente o oceano. Talvez estivesse tentando evitar o Canadá. Talvez quisesse evitar a Vinlândia, que não era o que ele procurava. Acredito que a intenção era contornar a América para tentar chegar às riquezas do Extremo Oriente.”

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