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Crise energética na Europa deixa estoques de gás em nível crítico para o inverno

Bloqueio à Rússia deixa Europa com gás limitado para o inverno

A União Europeia se prepara para enfrentar a temporada fria de 2026 e 2027 com apenas 72% de sua capacidade de armazenamento de gás natural preenchida, conforme apontou um levantamento divulgado em 8 de outubro pela Entsog, a Rede Europeia de Operadores de Sistemas de Transporte de Gás. O patamar é considerado historicamente baixo e mantém os países do bloco em alerta constante para evitar falhas no fornecimento de energia, cenário agravado pelas restrições comerciais impostas ao combustível russo.

Alternativas e o peso do GNL

Caso as temperaturas fiquem dentro da média histórica, as reservas atuais seriam suficientes para suprir a demanda da população. No entanto, invernos mais rigorosos obrigariam os governos europeus a buscarem volumes extras de GNL, o gás natural liquefeito. Enquanto o gás tradicional circula por gasodutos, o GNL passa por um processo de resfriamento para o estado líquido, sendo transportado por navios. Esse formato permite que a Europa receba insumos de nações sem ligação terrestre, embora a Rússia continue sendo uma das principais fornecedoras dessa modalidade, atrás apenas dos Estados Unidos.

No segundo trimestre de 2022, por exemplo, o GNL de origem russa representou 18,2% das importações do bloco, enquanto os americanos responderam por 61,1%. Caso ocorra um corte total e definitivo no fornecimento russo, a região precisará adquirir ao menos 9 bilhões de metros cúbicos adicionais de gás liquefeito para terminar o período mantendo um terço de suas reservas intactas. A reposição depende atualmente de produtores secundários, como Argélia e Nigéria, em um momento em que a Noruega assumiu o posto de maior fornecedora geral da Europa.

Impactos geopolíticos globais

A transição energética esbarra em forte volatilidade internacional. Antes da guerra na Ucrânia iniciada em fevereiro de 2022, Moscou liderava o mercado europeu com 150,2 bilhões de euros exportados em 2021, montante que despencou para 36 bilhões de euros em 2025. Contudo, a busca por novos parceiros comerciais ocorre em meio aos reflexos de confrontos no Oriente Médio, que travam rotas essenciais de navegação e estrangulam a logística global.

O fechamento do estreito de Ormuz restringe o trânsito de cerca de 20% de todo o GNL comercializado no planeta, dificultando a chegada de cargas do Catar e dos Emirados Árabes Unidos. A escassez intensifica a concorrência direta entre os mercados europeu e asiático, elevando os preços e gerando instabilidade financeira para os importadores.

Riscos por país e o futuro das negociações

Os países que apresentam maior vulnerabilidade diante das reservas reduzidas são a Letônia, com 49% de seus depósitos subterrâneos preenchidos no início de outubro, e a Eslováquia, que registra 54%. Em contrapartida, os maiores volumes estão concentrados em nações como Itália, Alemanha e França.

A partir de 2027, a União Europeia planeja banir de vez o gás russo de seus contratos de longo prazo, sem perspectiva de retomada comercial entre as partes. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu repetidamente o fim das importações de gás russo e defende as fontes de energias renováveis como substitua. No lado russo, o Ministro da Energia, Sergey Tsivilev, defende contratos de gás de longo prazo e argumenta que a exploração de novas reservas exige investimentos, sobretudo diante do crescimento da demanda por gás na Ásia e na África.

Com o início do inverno marcado para 21 de dezembro, a estabilidade energética da região dependerá do comportamento da demanda climática, da oferta disponível de GNL no mundo e da capacidade de substituição das importações sem esgotar os estoques para os ciclos seguintes.

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