Com um ritmo de atividade que supera com folga os principais mercados da América do Sul, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraguai registrou um salto de 5,7% na primeira metade de 2026. A taxa, apresentada no Relatório de Contas Nacionais Trimestrais elaborado pelo Banco Central do Paraguai (BCP), coloca o país vizinho em posição de destaque econômico no continente.
O desempenho supera expressivamente o resultado brasileiro, que marcou uma alta de 1,9% no mesmo intervalo, em um período marcado pelo cenário eleitoral doméstico disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Além do Brasil, o índice paraguaio ficou à frente de Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai.
Diversificação da matriz produtiva paraguaia
Embora historicamente dependente de fatores climáticos e recursos hídricos, a trajetória atual mostra fôlego em outras áreas. A autoridade monetária pontuou que a evolução independe exclusivamente das safras do campo e da geração das usinas hidrelétricas. Desconsiderando ambos os segmentos, a expansão semestral ainda alcançaria sólidos 5,2%.
Essa amplitude decorre de um ambiente desenhado para fomentar negócios, reduzindo entraves operacionais e a carga incidente sobre a produção.
Vantagens tributárias com o Regime de Maquila
Entre os instrumentos que sustentam esse avanço regional está o Regime de Maquila, mecanismo que estipula alíquota de apenas 1% sobre o total faturado para exportação. Com isso, uma mercadoria faturada a R$ 100 com destino ao exterior arca com apenas R$ 1 em tributo.
Para a fundadora da consultoria de investimentos Frontexa, Suelen Raizer, o ambiente institucional favorece a chegada de capital fabril.
“Quando um país combina incentivos ao investimento, mecanismos de garantia e crédito de longo prazo, ele reduz parte da incerteza financeira associada à implantação industrial”, avalia Suelen. “Isso pode produzir um efeito de crowding in: o capital público ou induzido pelo Estado não necessariamente substitui o capital privado; ele pode viabilizar projetos que posteriormente mobilizam capital privado adicional, fornecedores, emprego e novas etapas da cadeia produtiva. O impacto relevante, portanto, não deve ser medido apenas pelo volume inicial da linha de crédito, mas pelo investimento total que ela conseguir induzir.”
Comércio exterior e migração de empresas
Os reflexos práticos aparecem no comércio internacional. As remessas ao exterior enquadradas na Maquila tiveram alta de 26% de janeiro a agosto, gerando US$ 1,01 bilhão em divisas. O mercado consumidor do Brasil adquiriu cerca de 60% desse volume.
Contudo, a conexão bilateral ultrapassa a compra de insumos e manufaturas. A segurança jurídica e a baixa incidência fiscal levaram diversas companhias a transferir operações para o território vizinho, fomentando a geração de empregos locais. Dados da Confederação Nacional da Indústria revelam essa movimentação: em 2015, eram 40 unidades industriais brasileiras instaladas no Paraguai, montante que superou as 200 fábricas em 2025.






