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Mulher trans é espancada e apedrejada em Barretos

O que se sabe sobre o caso da mulher trans apedrejada e espancada em Barretos, SP

A Polícia Civil apura as circunstâncias de uma violenta tentativa de homicídio ocorrida na madrugada de segunda-feira (12), em Barretos, no interior paulista. A vítima é Jade, uma mulher trans de 43 anos, brutalmente golpeada por dois homens na Rua Trinta, nas proximidades da Praça São Benedito. Sob a condução do delegado Guilherme Carvalho de Oliveira, as investigações avançam para esclarecer a real motivação do crime que gerou forte comoção regional.

Violência registrada por câmeras e intervenção de testemunha

O ataque aconteceu por volta das 4h e foi registrado por circuitos de segurança da região. Os registros mostram que a vítima foi atingida por diversos socos e pontapés na região da cabeça, além de pisões no tórax, tentativas de esganadura e pedradas. Sem chances de defesa, Jade permaneceu no chão enquanto recebia os golpes.

Um motorista de aplicativo que transportava passageiros pelo local presenciou as primeiras agressões, notando que a vítima tentava se defender com os braços dos tijolos arremessados contra ela. O profissional relatou o impacto do momento: “Horrível. Comecei a tremer na hora, comecei a entrar em desespero, porque eu nunca vi isso na minha vida. Nunca vi isso na minha vida.”

Os agressores chegaram a bloquear a via e intimidar motoristas. Após deixar seus passageiros, a testemunha retornou ao ponto do ataque e encontrou a vítima ensanguentada. Diante da ausência de socorro naquele instante, ele se dirigiu até o plantão policial para pedir reforço: “Eu fui correndo até a delegacia e pedi socorro para eles. E foi quando eles agiram de forma rápida.”

Prisão em flagrante e buscas pelo segundo autor

A Polícia Militar localizou e deteve o lavrador Adilson Pereira, de 35 anos, ainda ao lado da mulher ferida. Em depoimento, o suspeito confessou ter participado da violência e alegou que a discussão começou por causa da cobrança de um aparelho telefônico — versão contestada pela família da vítima. De acordo com o motorista de app, Adilson declarou na delegacia que só não consumou o assassinato devido à intervenção policial.

A Justiça converteu o flagrante de Adilson em prisão preventiva após realização de audiência de custódia, acompanhada pela Defensoria Pública de São Paulo, que pontuou que suas manifestações ocorrerão somente nos autos processuais. Enquanto isso, o segundo participante das agressões permanece foragido. Familiares de Jade questionam a fuga, afirmando que gravações indicam a presença dele no momento em que a polícia chegou ao local.

Quadro clínico e desabafo da família

Jade permanece sob cuidados médicos na Santa Casa de Barretos, com quadro de saúde avaliado como grave, porém estável, após passar por procedimentos cirúrgicos. Descrita por parentes como uma mulher solidária que costuma oferecer abrigo temporário a pessoas em situação de rua, ela morava em um imóvel cedido.

A irmã da vítima, a empregada doméstica Janaina Cristina dos Santos, ressaltou o caráter acolhedor de Jade: “Ela é uma pessoa que não faz mal a ninguém, por onde passa sempre educada com as pessoas, sempre procura ajudar os outros moradores de rua. Ela sempre fala que sabe como é ruim dormir na rua, passar frio ou dormir na chuva.”

Muito abalada com a desfiguração da filha, a mãe de Jade, a pensionista Marisa dos Santos Oliveira, desabafou sobre o impacto emocional: “Meu coração está estraçalhado.” Janaina também expressou o clamor por punição: “A gente está bem arrasado de ver a situação que ela está. Ela está irreconhecível. A gente quer justiça”.

Manifestação da Igreja Católica

A brutalidade do espancamento repercutiu nos círculos religiosos do município. O bispo diocesano, Dom Milton Kenan Júnior, emitiu um pronunciamento repudiando a violência e prestando apoio aos familiares: “Acredito que, movidos pela nossa fé cristã, não podemos deixar de manifestar publicamente nossa indignação com atos como este, que ferem a dignidade humana.” O líder religioso reforçou a necessidade de responsabilização legal dos autores e manifestou votos de plena recuperação para a vítima.

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