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Netinho e Banda Beijo: relembre trajetória antes da fama solo

'Beijo na Boca', trio elétrico na Itália e multidões: a história de Netinho na Banda Beijo

Antes de alcançar o topo das paradas de todo o país como artista solo, Netinho construiu as bases de sua consagração musical à frente da Banda Beijo. Entre o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, o artista transformou o grupo em um fenômeno de público e protagonizou episódios marcantes que ajudaram a pavimentar a expansão do axé no mercado fonográfico e no exterior.

O início da paixão pelo Carnaval e a entrada no grupo

O envolvimento de Netinho com a folia baiana começou em 1986, quando curtiu o Carnaval de Salvador no Bloco Beijo, que na época desfilava sob o comando de Luiz Caldas e da Banda Acordes Verdes. A identificação com a atmosfera da festa foi imediata. “Foi amor à primeira vista — ou melhor, ao primeiro acorde”, declarou o cantor em depoimento resgatado de seu acervo oficial.

No ano seguinte, ao acompanhar pelos jornais que a agremiação procurava um vocalista para estruturar um conjunto musical próprio, ele realizou o teste e conquistou a vaga. Após uma série de shows pelo interior da Bahia, em cidades como Feira de Santana, Barreiras e Cruz das Almas, fez sua estreia oficial na passarela soteropolitana em 1988. Sobre a experiência, o músico definiu: “Quando a primeira música explodiu, eu soube: era ali que eu pertencia”.

Hits nas rádios e trio elétrico na Copa da Itália

A consagração comercial não tardou. Em julho de 1988, aos 22 anos, participou da gravação do primeiro álbum da banda, Prove Beijo, impulsionado pelo sucesso arrebatador da faixa Beijo na Boca. A canção ganhou rotação contínua nas rádios brasileiras e garantiu espaço na televisão, com presença marcante na estreia do Domingão do Faustão em 1989. O disco seguinte, Sem Repressão, confirmou a habilidade da banda em misturar a batida percussiva dos blocos com arranjos pop.

Dois anos depois, em 1990, a banda viveu um feito inédito: atravessou o Atlântico com um trio elétrico para embalar os torcedores da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo da Itália, em Turim. Mesmo após a queda do time na competição, Netinho estendeu a estadia na Europa e participou da transmissão do espetáculo Ciao Mondiale, veiculado para dezenas de nações.

No retorno à capital baiana, o artista liderou uma apresentação promocional do álbum Beijo no alto do Shopping Barra, em uma homenagem ao concerto dos Beatles em Londres. Cerca de 40 mil pessoas ocuparam as imediações para acompanhar a apresentação.

Consagração do axé e caminho para a trajetória solo

Com o lançamento de Aconteceu Axé Music em 1992, Netinho respondeu diretamente às críticas que o movimento musical sofria, faturando o primeiro Disco de Ouro de sua carreira. No mesmo período, colocou músicas em trilhas de novela da TV Globo e fez história ao desfilar com trio elétrico na praia de Copacabana, além de lotar casas de espetáculo no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O ciclo à frente do grupo abriu caminho definitivo para seu voo solo em 1993, com o disco Um Beijo pra Você. O trabalho conquistou certificação de platina no Brasil e ouro no Chile, impulsionado por canções como “Menina”. A partir dessa etapa, o cantor passou a assumir também a direção artística de suas turnês e investiu no mercado de produção musical.

Histórico de saúde e despedida

A caminhada do artista enfrentou pausas provocadas por problemas de saúde. Em 2013, sofreu complicações vasculares e acidentes vasculares cerebrais que o mantiveram afastado dos palcos por quatro temporadas, até o retorno gradual a partir de 2017. Mais recentemente, Netinho realizava tratamento contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, descoberto em 2025. O cantor morreu aos 60 anos em Salvador, decorrente de disfunção múltipla de órgãos.

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