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Eleições 2026: jovens intensificam mobilização para o segundo turno

Jovens intensificam mobilização para conquistar votos para Lula e Flávio no segundo turno

Com a disputa presidencial acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, apoiadores de ambos os candidatos intensificaram as campanhas voltadas para uma faixa estratégica do eleitorado: os jovens. A poucos dias da votação decisiva, eleitores entre 16 e 24 anos têm adotado diferentes táticas para atrair novos eleitores, convencer indecisos e combater a abstenção.

Estratégias de engajamento estudantil

Isadora de Oliveira, de 24 anos, organizou um ato a favor de Lula com cerca de 60 mil pessoas em Brasília (DF), em 13 de outubro. Ela declarou: “A gente quer ocupar faculdades, ônibus, metrô e conversar com as pessoas para mostrar que o futuro que a gente precisa não cabe no projeto da extrema-direita nem no de Flávio Bolsonaro, mas que será construído por nós, a partir da luta dos estudantes”. Do outro lado, João Pedro Porto, de 18 anos, coordena um grupo universitário de oposição ao presidente e promoveu adesivaços e atos em frente à faculdade.

O papel da juventude segundo especialistas

De acordo com a cientista política Marcela Machado, a etapa final da eleição costuma engajar mais o público jovem devido à necessidade de posicionamento e à influência do efeito “manada”. Segundo ela, a juventude funciona como um filtro social. “Ao ver amigos e pessoas próximas se envolvendo nas campanhas, o jovem é estimulado a tomar uma decisão: ‘está todo mundo fazendo, eu vou também’, mesmo sem se considerar tão engajado ou totalmente inclinado àquele candidato. Além disso, quando o jovem produz conteúdo e debate política nos espaços que frequenta, ele leva a mensagem a quem não assiste ao horário eleitoral e não segue candidatos, mas convive com ele”, explicou.

Ação nas redes sociais e nas ruas

Alexandra Carvalho, de 22 anos, criou um canal de mensagens para divulgar materiais de campanha de Flávio Bolsonaro e organizar protestos na faculdade. Ela afirmou: “A nossa força não pode ficar apenas nas telas. Precisamos levar essa mobilização para as faculdades, para as ruas e para os espaços de debate, porque a direita não quer apenas ocupar as redes sociais”.

Já Daniella Dutra, de 21 anos, abriu seu perfil nas redes para apoiar Lula e alcançar eleitores de outros estados. Ela relatou: “É importante ir para a rua, mas também fazer a mobilização nas redes sociais. Eu aumentei o nível de postagem e de relação com pessoas de outros estados. A gente tem que também saber falar com as pessoas de fora”. Bruna Lima, de 20 anos, utiliza banquinhas “vira-voto” em paradas de ônibus. A jovem declarou: “A gente está indo sempre para olhar olho no olho do trabalhador e falar: por que você votou no Flávio Bolsonaro? Ou então por que você não saiu de casa para votar? E dar argumentos, debater, trazer fatos, trazer a história para que a gente consiga, de fato, fazer essa virada”.

O impacto do voto jovem e o cenário atual

Maria Clara Lobão, de 16 anos, promove debates em sua escola e destaca que o engajamento muda posturas. Ela disse: “Com os debates entre os jovens do meu ciclo, vejo mais gente mudando de postura. Amigos que na eleição passada se posicionavam de um jeito, muitas vezes apenas reproduzindo a opinião dos pais, hoje pensam diferente, estão mais velhos e pesquisam por conta própria”.

No Brasil, o voto é facultativo para adolescentes de 16 e 17 anos e obrigatório a partir dos 18 anos. No primeiro turno de 2026, 1,4 milhão de eleitores nessa faixa etária votaram de forma facultativa. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 14,9 milhões de jovens de 16 a 24 anos foram às urnas no primeiro turno de 2026, uma queda em comparação aos 16,9 milhões registrados em 2022. O número de aptos na mesma faixa etária também recuou de 21,4 milhões em 2022 para 19,2 milhões em 2026.

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