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Erika Hilton acusa Flávio Bolsonaro de tentar extinguir a escala 6×1

Erika Hilton diz que Flávio não quer só mudar 6 X 1, mas enterrá-la

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) declarou nesta sexta-feira (16.out.2026) que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende extinguir a proposta de emenda à Constituição que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso. Segundo a parlamentar, o objetivo real do adversário político é resgatar o modelo que autoriza acordos diretos de horas trabalhadas entre patrões e empregados.

“Eu acho que não vai mudar pontos da PEC. O Flávio Bolsonaro está dizendo que vai mudar pontos porque ele não tem a coragem de dizer que ele vai enterrar e destruir a PEC”, declarou a deputada.

Estratégia eleitoral em foco

De acordo com a congressista, a guinada no discurso de Flávio e de seus apoiadores em relação ao tema ocorreu por pura conveniência política. A avaliação é de que o grupo busca atrair o eleitorado trabalhista antes do segundo turno da disputa presidencial, agendado para 25 de outubro, para posteriormente sepultar a medida.

“O que eles querem é enganar o trabalhador para ver se o trabalhador vai nas urnas no dia 25, dá o voto neles para que no dia seguinte eles enterrem essa conquista”, disse.

Como evidência dessa manobra, a parlamentar destacou que o candidato apoia a PEC do Trabalho Flexível, formulada pelo coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que prioriza a livre negociação das jornadas. Ela também pontuou que o endosso à redução veio apenas após forte pressão exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por entidades da sociedade civil e pelos próprios empregados.

“Se nós tivéssemos passado as eleições, se nós não estivéssemos num processo eleitoral, ele teria dado os discursos que ele sempre deu com relação ao fim da escala 6 por 1”, declarou.

Vantagens da nova jornada

Analisando os reflexos da mudança, a deputada sustentou que a alteração trará ganhos para o mercado interno. Durante os debates, empresários de diversos ramos teriam relatado ganhos expressivos com a adoção da escala de cinco dias trabalhados por dois de descanso, incluindo aumento de eficiência e corte de despesas operacionais.

Além disso, a congressista apontou que o tempo livre extra pode impulsionar o comércio e o setor de serviços, visto que os cidadãos disporão de mais espaço para o lazer.

Saúde e impacto econômico

Dados de órgãos especializados também foram trazidos para fundamentar o debate. A parlamentar mencionou levantamentos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) para reforçar que jornadas exaustivas elevam as taxas de adoecimento e de acidentes profissionais.

Projeções indicam a abertura de até 3 milhões de novas vagas de emprego, enquanto modelos aplicados no exterior demonstram que encurtar a jornada não gera necessariamente desemprego ou queda na produção. A conquista foi creditada à pressão popular e ao respaldo do governo federal, representando um marco para minorias e para a base trabalhadora.

“É muito triste que nós vimos ao longo dessa discussão o alarmismo de alguns setores, tentando colocar um pânico para tentar trazer a sociedade contrária, mas, na verdade, todos os estudos produzidos comprovam que nós teremos uma maior ampliação no mundo do trabalho”, afirmou.

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