O segundo acusado de envolvimento na morte de Antônio de Lira Rodrigues, de 65 anos, vai a julgamento popular no Leste de Minas Gerais. A decisão da Justiça de Governador Valadares foi oficializada em outubro, determinando que Carlos Daniel Feitosa de Souza responda perante o Tribunal do Júri pelo crime que chocou a região.
Acusações e manutenção da detenção
O réu enfrentará acusações de homicídio qualificado, agravado por motivo torpe e uso de emboscada, além da acusação de destruição de cadáver. O juiz David Pinter Cardoso, da 3ª Vara Criminal de Governador Valadares, entendeu que existem elementos comprobatórios da materialidade delitiva e indícios consistentes de autoria.
A determinação jurídica, conhecida como sentença de pronúncia, não configura uma condenação definitiva. Contudo, o magistrado optou por manter a prisão preventiva do investigado, cujo julgamento ainda não possui data definida na agenda oficial.
Dinâmica do crime e rastreamento por câmeras
De acordo com os apontamentos da investigação, gravações de sistemas de monitoramento registraram o momento em que Carlos Daniel assumiu a condução de um automóvel branco, veículo utilizado para monitorar o trajeto da vítima. No dia 21 de julho de 2025, Antônio de Lira se encontrou no Centro de Governador Valadares com Weuves Dionisio Lopes Vasconcelos, já sentenciado a 31 anos e 2 meses de reclusão pelo mesmo episódio.
As câmeras capturaram a dupla entrando no carro da vítima por volta das 12h31, enquanto o automóvel branco seguia logo atrás em direção ao local onde o corpo foi achado sem vida e carbonizado, próximo ao distrito de Baguari.
Interrogatório e captura no Espírito Santo
Durante a audiência de instrução, realizada em setembro de 2026, o réu optou por responder exclusivamente aos questionamentos formulados por sua própria defesa técnica, após o depoimento de oito testemunhas. A captura de Carlos Daniel ocorreu em 9 de fevereiro de 2026, em São Mateus, no Espírito Santo, efetuada pelas forças de segurança que o apontaram como o condutor do carro de cobertura.
Contexto e condenação anterior
O corpo da vítima foi localizado em estado carbonizado, exigindo exames odontolegais para a confirmação da identidade. A apuração policial concluiu que o homicídio foi premeditado e motivado por um débito financeiro de cerca de R$ 200 mil que Weuves mantinha com Antônio, sendo o incêndio do veículo uma tática para ocultar vestígios.
O primeiro envolvido no caso, Weuves Dionisio, foi submetido ao Tribunal do Júri em junho de 2026, recebendo a pena de 31 anos e 2 meses de reclusão em regime fechado, com execução imediata da sentença pelos crimes de homicídio qualificado e destruição de cadáver.






